BASTA

Decidi que em 2.020 ficarei imune até o resto de minha vida de todos os avanços tecnológicos que inventaram nestes últimos vinte anos. Vou escrever minhas crônicas semanais à mão e nunca mais usarei computador. Uma página em branco me basta e entregarei em mãos meus escritos, para o Juliano Secolo, escritos, é claro, com a minha caneta azul, azul caneta, escrita com a minha própria letra. Chega de ficar procurando na tela do computador onde vou por meus espaços, pois, os espaços meus, coloco onde quiser… Se eu quiser colocar meus espaços do meu lado no sofá, eu coloco, se quiser colocar espaço para meu gato, eu coloco, se eu quiser colocar meu travesseiro, eu coloco e durmo no momento que eu quiser. O computador não mandará mais nos meus espaços e no meu espaço aconchegante caberá tão somente o amor da minha vida para sempre. Nunca mais usarei o mouse para mover meus textos, será coisa do passado, pois, quem move meus textos sou eu mesmo e escrevo como quiser e do jeito que quiser, não tenho compromisso com a verdade do outro, as minhas verdades já me bastam e me comovem. Nunca mais mandarei e-mail para ninguém, nem pedindo socorro! Definitivamente, acabou para mim esta forma de se comunicar. Quando eu tiver algum recado para dizer ao outro, vou na casa dele, bato na porta, se ele não estiver eu volto e lá mesmo, falo francamente aquilo que ele precisa saber, mas, que seja interesse dele e de mim também. Chega de compromisso de ter que localizar o Projudi para enviar minhas ações para que o juiz avalie. Vou escrever minhas petições a mão, junto os documentos necessários e entrego ao cartório, Se não aceitarem, este problema será deles. Nunca mais vou participar de grupo no whatshap, eis que hoje quando abri meu celular havia tão somente 531 mensagens, que me tiraram da minha caminhada diária e durante uma hora e dez minutos meu dedinho não parava de se movimentar naquela tela desocupada e inútil.

Um computador é capaz de curar a solidão, pergunto. Seria esta máquina moderna capaz de devolver minha infância, quando brincava de pique, de salva, de roda e de domingo ia ao cinema ver um filme de bandido e mocinho, onde só se torcia para o mocinho… Porque hoje se torce também para o bandido. Será que esta máquina moderna seria capaz de devolver para mim meus banhos na cachoeira do Rio Ligeiro e os pic-nic à beira do Rio dos Índios…Que capacidade teria esta máquina de me colocar de volta nos bancos escolares do Instituto Nossa Senhora Auxiliadora, onde as irmãs salesianas, pacientemente, pegavam minha mão para escrever as primeiras letras, no caderno virgem, de páginas em branco. Um computador seria capaz de me trazer de volta e assistir as Missas de domingo, com o Padre Shinforiano celebrando em Latim e de costas para o povo…

Basta de computador… Quero tão somente deitar na minha cama de colchão feito com palhas de milho, dormir e sonhar e levantar bem rápido para moer o café, no velho moedor e entregar o pó para minha mãe saudosa coar e comer fatias brancas do pão feito em casa, com manteiga Aviação.

Izaura Varella

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