Aves apreendidas em fiscalizações são devolvidas à natureza

A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) realizaram na última segunda-feira (10) a soltura de 30 aves apreendidas em operações de fiscalização. A soltura aconteceu no Criadouro Conservacionista Onça-Pintada, em Campina Grande do Sul, na Grande Curitiba. Ação integra as comemorações do Dia Internacional do Meio Ambiente.

De acordo com o secretário da pasta, Márcio Nunes, o trabalho dos criadouros conservacionistas é essencial para a preservação e reprodução das espécies ameaçadas no Estado.

Ele acrescenta que o IAP faz um trabalho muito relevante de acolhimento de animais silvestres apreendidos pela Polícia Ambiental ou entregues voluntariamente pela população. “Cabe à sociedade organizada também apoiar iniciativas como essa. As pessoas precisam ter a consciência de que animais silvestres não são animais domésticos, não são pets”, afirmou o secretário.

O presidente do IAP, Everton Luiz da Costa Souza, alerta que vender, comprar ou manter animais silvestres sem autorização do órgão ambiental é crime inafiançável. “Muitas pessoas mantêm animais silvestres em cativeiro doméstico, sem conhecimento do assunto, na falsa crença que estão protegendo os espécimes”.

Quem quiser ter um animal silvestre deve seguir uma série de recomendações e só pode comprar de criadores comerciais licenciados pelo IAP.

Os profissionais do instituto estão habilitados para acolher e triar os animais silvestres apreendidos. “Nossa equipe técnica tem condições de dar suporte para as solturas, escolhendo as melhores unidades de conservação. Fica o desafio maior da recepção, acomodação e boa aclimatação desses animais”, diz o presidente do IAP.

FAUNA SILVESTRE

Desde o início deste ano, o IAP deixou de receber os animais em sua sede em Curitiba. A atribuição passou para a Prefeitura de Curitiba, por meio de um convênio firmado entre os órgãos.

Os animais silvestres, oriundos de apreensões e entregas voluntárias na Capital e na Região Metropolitana são encaminhados para o Centro de Apoio à Fauna Silvestre de Curitiba (CAFS), que fica anexo ao Museu de História Natural, no bairro Capão da Imbuia. No local, passam por triagem, recebem atendimento clínico e sanitário e são encaminhados para que o IAP dê a destinação adequada.

Segundo a coordenadora de Fauna do IAP, a bióloga Márcia Pires Tossulino, neste ano instituto fez a soltura de aproximadamente 500 aves de um total de 900 que passaram pelo CAFS, onde recebem avaliação clínica e sanitária para verificar as que estão aptas a voltar para a natureza e as que precisam de atendimento médico veterinário.

“Caso não possam ser devolvidos à natureza, as aves são destinadas a instituições de fauna licenciadas pelo IAP, preferencialmente institutos conservacionistas e mantenedores de fauna silvestre”, destaca Márcia.

BUGIO

Também nesta segunda-feira (10), foi destinado ao criadouro um macaco bugio que passará por reabilitação e adaptação ao novo grupo da mesma espécie para posterior reintrodução na natureza.

A bióloga salienta que muitos desses bugios entregues ao IAP/CAFS são vítimas de atropelamentos ou outras situações, como abandono de filhotes por caça do adulto, além de apreensões em cativeiros ilegais. “Para a conservação desta espécie que se encontra sob ameaça de extinção é muito importante que estes indivíduos voltem para a natureza”.

CRIADOURO

O Criadouro Onça-Pintada é mantido pela Associação de Pesquisa e Conservação da Vida Silvestre (SPVS). É um espaço para receber animais ameaçados de extinção que necessitem de cuidado especial e também espécies da fauna silvestre brasileira.

Segundo o proprietário do criadouro, Luciano Sabóia, o local ocupa uma área de 132 hectares e possui 200 recintos que abrigam mais de 1,8 mil animais de 160 espécies. “Esta população silvestre é mantida para programas de recomposição e manejo, com desenvolvimento de técnicas de criação e pesquisas em nossa área de atuação”, explica.

A história do criadouro começou em 1995, quando Sabóia adquiriu uma área degradada, originalmente usada para pecuária. A cobertura vegetal foi reconstituída, mas o retorno dos animais silvestres foi lento devido ao desaparecimento da fauna nas propriedades vizinhas.

Em 2002 a propriedade recebeu 12 exemplares de cotias da Prefeitura de Curitiba e, em 2003, o primeiro exemplar de onça-pintada. Também em 2003, obteve a licença de funcionamento como criadouro conservacionista. “Desde então não paramos de receber e cuidar dos animais, a maioria proveniente do tráfico, posse ilegal ou resgate de fauna”, afirma o proprietário da área.

Para o presidente do IAP, a atividade do Onça-Pintada é fundamental para a conservação das espécies ameaçadas do Paraná. “A parceria do IAP com o criadouro é primordial para o fortalecimento das ações de proteção e conservação da fauna pelo Governo do Paraná. Temos aqui dezenas de espécies ameaçadas de extinção e outras que precisam de cuidados”, disse.

CAMPO LARGO

No período da tarde, 22 aves foram soltas no Mantenedor de Fauna Carlos Mueller, em Campo Largo. São14 papagaios, quatro maitacas-verde e quatro piriquitos-rico. As aves foram apreendidas pela fiscalização e por não terem condições de retorno à natureza foram destinadas a este local licenciado pelo IAP.

Fonte: Agência Estadual de Notícias do Paraná

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