A PASSEATA DAS MERETRIZES DE CIANORTE

História de Cianorte no Carnaval de 1.957

No Carnaval do ano de 1.957 aconteceu um fato muito interessante e ao mesmo tempo pitoresco e engraçado que vale a pena relatar aqui, pela sua peculiaridade. O Delegado de Polícia chamava-se Luiz Gonzaga Nogueira. O fato aconteceu na terça-feira de Carnaval e escandalizou a recatada população de Cianorte, provocando comentários e reprovações. O acontecimento foi decorrente de um mal entendido entre o Delegado de Polícia e a primeira Câmara Municipal de Cianorte. A Câmara Municipal cobrou do Delegado Luiz que explicasse a razão de ter acontecido a Passeata das Meretrizes, em plena terça-feira de Carnaval, no centro da cidade. Nesta época, manter a moralidade e o cumprimento da lei era tarefa do Delegado de Polícia.

O Delegado, acuado, então, informou aos Vereadores que ele, como Delegado não havia autorizado e nem autorizaria que decaídas da Zona do Meretrício de Cianorte, utilizassem charretes, para promover cortejo carnavalesco. Mesmo porque, ele era cônscio de seus deveres e tinha a responsabilidade pessoal de sair em defesa dos bons costumes e da moral pública. Informou que houve foi um lamentável mal entendido, por parte do Fiscal dos Charreteiros. Este solicitou ao Delegado permissão para fazer um corso com as aludidas charretes. Como se tratava de uma terça-feira de carnaval, festa tradicional brasileira, o Delegado Luiz autorizou este cortejo, bem como outros, de veículos motorizados, desde que ocupados pelos respectivos proprietários, que não fossem meretrizes. Solicitou que trafegassem com a maior ordem possível, para não cometerem excessos. Assim, o Delegado declarou que teve conhecimento, no mesmo dia que do cortejo, participariam as “mulheres fáceis”, e, imediatamente, e no momento quando apenas apontava na cidade o cortejo das charretes ocupadas por meretrizes, já tomou providências. Ordenou que todos, charreteiros e meretrizes, regressassem de imediato à Zona de origem, que nesta época se localizava onde é hoje o Conjunto Habitacional Ovídio Franzoni. E o Delegado rapidamente, intimou todos os charreteiros para comparecerem na Delegacia de Polícia, visto que iria tomar as medidas cabíveis.

Foi aquele alvoroço, porque não obedeceram e passearam, alegremente, pelo centro da cidade, causando escândalo na população urbana que não passava de três mil pessoas. A população indignada condenou a Passeata de Meretrizes que escandalizou o centro da cidade com seus garbosos cavalos, puxando charretes e abrigando “as mulheres da zona”, que queriam, inocentemente, brincar o Carnaval. Tão somente!

Izaura Varella – historiadora

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