SESSÃO SOLENE MARCA O DIA MUNDIAL DE CONSCIENTIZAÇÃO DO AUTISMO NA ASSEMBLEIA 

Por proposição da deputada Flávia Francischini (União Brasil), foi realizada, nesta segunda-feira, (01), no Plenário da Assembleia Legislativa, a sessão solene em tributo ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por desenvolvimento atípico, manifestações comportamentais, déficits na comunicação e na interação social, padrões de comportamentos repetitivos e estereotipados, podendo apresentar um repertório restrito de interesses e atividades.

A deputada Flávia Francischini (União Brasil), ressaltou a importância de realizar a sessão solene sobre o tema. “É um evento para contribuir com a causa. Sabemos que amanhã, dia 2, se comemora a Conscientização Mundial sobre o Autismo, mas tivemos essa preocupação de já começar a semana com esse movimento de conscientização, que é um movimento que não deve existir só em abril, é um movimento que deve acontecer todos os dias. A partir do momento que vemos um empresário, um comerciante, pessoas comuns que não vivem o dia-a-dia do autismo, querendo saber como ele pode arrumar um ambiente para um autista, com menos barulho, com menos movimento, ou um professor de escola querendo saber de que forma ele pode ajudar aquele tutor que fica o tempo inteiro com a criança, isso para mim que sou mãe de autista, afaga o coração”.

O Dia Mundial da Conscientização do Autismo, 2 de abril, foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), no ano de 2007. Indivíduos com TEA podem e devem conquistar seu lugar na sociedade porque eles também têm aptidões e talentos específicos em determinadas áreas do conhecimento. Embora algumas pessoas com TEAs possam viver de forma independente, existem outras com deficiências severas que precisam de atenção e apoio constante ao longo de suas vidas. As intervenções psicossociais baseadas em evidência, tais como terapia comportamental e programas de treinamento para pais, podem reduzir as dificuldades de comunicação e de comportamento social e ter um impacto positivo no bem-estar e na qualidade de vida dessas pessoas e seus cuidadores. As intervenções voltadas para pessoas com TEAs devem ser acompanhadas de atitudes e medidas amplas que garantam que os ambientes físicos e sociais sejam acessíveis, inclusivos e acolhedores.

Para o secretário de estado do Desenvolvimento Social e Família do Paraná, Rogério Carboni, “no governo do Paraná, a causa do autismo tem sido tratada com preocupação, com vontade de acertar, de dar visibilidade, de eliminar o preconceito. Nossos dados apontam que a cada 100 crianças e adolescentes 36 podem apresentar este transtorno de espectro autista. Estamos investindo esforços nessa ideia da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA) e a emissão deste documento, desde a sua criação já teve um crescimento de 234% e isso nos ajuda a conhecer melhor esta realidade para formular políticas públicas em favor dessas pessoas. É muito importante essa campanha da emissão da CIPTEA, muitos municípios já aderiram e um evento como este aqui na Assembleia colabora para que àqueles municípios que ainda não aderiram, possam também participar”.

O prefeito do município de Iporã, Sérgio Borges, esteve na sessão solene e declarou que “temos dado apoio a questão do transtorno do espectro autista e na semana passada aprovamos a lei municipal que prevê a redução na carga horária do servidor de 30% a 50%. Então, aquele servidor que tem 40 horas semanais, ele vai ter ou 12 ou 20 horas para poder cuidar do filho autista. Tudo de acordo com o laudo médico e a necessidade da criança. Vejo isso como um avanço nas políticas públicas municipais e espero que possamos incentivar outros municípios paranaenses na conscientização e atenção para essa situação do autista”.

A Assembleia Legislativa criou a Comissão Especial para finalizar a elaboração do Código Estadual da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CEPTEA) que propõe a consolidação de 11 leis estaduais em vigor e 43 projetos de Lei em tramitação abordando os direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), e já conta com a contribuição de 123 entidades da sociedade civil organizada.

Participações

Fúlvio Pacheco foi diagnosticado como pessoa com transtorno do espectro autista já adulto, quando fez exames no filho. “Integro a Associação Brasileira para Ação por direitos das Pessoas Autistas (Abraça) que é uma organização Não Governamental (ONG) voltada para autistas adultos. Temos muitas ações destinadas a crianças e adolescentes, mas esses um dia crescem e por isso a Abraça tem este foco. E o adulto autista precisa de suporte e atendimento e de oportunidades. As oportunidades de trabalho são uma das nossas principais questões, o suporte psicológico o combate ao capacitismo, especialmente nas universidades. Fazemos encontros e bate-papos para auxiliar estes autistas adultos a compreenderem melhor o mundo e conhecer os seus direitos”.

Para a advogada Fabiana Longhi, especializada em atendimento jurídico para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), “É importante falarmos sobre o autismo, sobre as suas necessidades e direitos para difundirmos o conhecimento sobre o tema entre a população, oportunizando a inclusão social e a redução do preconceito”

Já a psicóloga clínica, proprietária do Centro Especializado em Transtorno do Espectro Autista (SELF), com avaliação e atendimento especializado e autora de dois livros específicos para atendimento do espectro autista, doutora Maria Helena Jansen de Mello Keinert, contou que “os desafios são imensos, cada vez parece que são maiores. Eu trabalho com autismo há mais de 30 anos, e de lá para cá, a gente vem descobrindo cada vez mais ramificações no diagnóstico do autismo, o que traz muitos complicadores, o que traz dificuldades diagnósticas e principalmente de tratamento. Percebemos que as pessoas estão mais atentas aos sinais, mas tem outras questões que vem surgindo ao longo dos anos que precisamos estar mais atentos. Por exemplo, hoje a gente tem muito diagnóstico tardio do autismo em adultos e, especialmente, diagnósticos de autismo em mulheres adultas, que é um diagnóstico extremamente complexo porque ele é diferente do tradicional. Então são dificuldades que vão surgindo e que temos que aprender a lidar”.

Durante o evento foram entregues diplomas de Menção Honrosa em reconhecimento as pessoas que se destacaram no trabalho na defesa dos direitos da pessoa com autismo, bem como na promoção da inclusão. A mesa de autoridades ficou composta pela proponente e presidente da sessão solene, deputada Flávia Francischini (União Brasil); pelos secretários de estado do Desenvolvimento Social e Família e de Segurança Pública, respectivamente, Rogério Carboni e coronel Hudson Leôncio Teixeira; representando os autistas, Érico Carvalho Pereira; a psicóloga clínica e escritora, doutora Maria Helena Jansen de Mello Keinert; pai de autista e oficial da Polícia Militar do Paraná, major Valter Ribeiro da Silva e o o cirurgião dentista especializado em tratamento de crianças autistas, doutor Edson Higa.

Fonte: ALEP

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