TREZENTOS ANOS ATRÁS

Vamos olhar para trás para ver para onde foram parar os anos, depois que viemos ao mundo e a descoberta do número de pessoas que nos antecederam em nossa família é surpreendente. Não somos e nunca fomos sozinhos neste mundo, pois, dependemos totalmente, do outro e do número de pessoas, de nossa ascendência que nos deu a vida; este número é quase inimaginável. Pois bem, vamos contar nossos ascendentes. Vamos contar quantas pessoas ficaram para trás antes de chegarmos a este mundo: Nascemos 1, viemos de 2 pais, e deixamos no tempo 4 avós, 8 bisavós, 16 trisavós, 32 tetravós, 64 pentavós, 128 hexavós, 256 heptavós, 512 octavós, 1.024 eneavós e 2.048 decavós. Até aqui 11 gerações se passaram e tivemos 4.094 ancestrais nos últimos 300 anos!

Com muita sorte e muita longevidade podemos conhecer alguns dos nossos trisavós, mas, a partir dos tetravós, nada sabemos de nossa ascendência, mesmo porque a humanidade não fez questão de deixar registrada nossa linha de ascendência, por falta absoluta de conhecimento e de tecnologia. Quem teria a habilidade nos idos dos anos de 1.400 de registrar qualquer dado, quando ainda a imprensa sequer tinha nascido? Depois que Gutenberg inventou a imprensa escrita, 1.439, que era algo tão técnico e tão gigantesco e tão complicado que poucos dominavam a arte de mexer com aquelas máquinas, que revolucionaram o mundo da comunicação, mas que precisou de centenas de anos para tomar outro corpo. De lá para cá continuou quase impossível buscar um registro e uma história deixada por algum ancestral, para se descobrir qual nossa verdadeira origem, o que pensavam, como agiam, como se cuidavam, como se relacionavam… Acredite! Há 50 anos não tínhamos televisão, celular, telefone, whatshap, foguete…

Nossos antepassados lutaram na Guerra dos Cem Anos, participaram da Revolução Francesa, viveram no Velho Oeste dos Estados Unidos, fizeram parte do mundo dos Bárbaros, será que algum deles construiu Machu Pichu ou ajudou a construir aquelas gigantescas estátuas da Ilha de Páscoa, ou ainda fizeram parte da celebração da Primeira Missa no Brasil? Temos algum descendente entre nós de César, de Napoleão, de Bolívar, de Cristovão Colombo, de Pedro Álvares Cabral, de Hitler, de Mao Tsé Tung, de Voltaire, de Sócrates, de D.Pedro I, da Rainha Elizabete da Inglaterra? Sabemos muito pouco de nós mesmos, mas, trazemos no íntimo as tendências, as manias, os sentimentos, as tendências, as loucuras, a genética, o modo de pensar e de agir que remontam há séculos no tempo. Cada ser humano é um grande depósito da história, de uma história obscura e desconhecida e os mais pessimistas dirão que são obrigados a curvar-se diante do destino. Já os otimistas dirão que o desafio de não curvar-se diante das vicissitudes talvez seja a maior herança deixada pelos nossos ascendentes. E respondemos tal qual o filósofo John Dewey: “sou o senhor do meu destino, sou o senhor da minha alma!”.

Izaura Varella

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