SEM ASSUNTO

Completamente sem assunto e nada inspirada estou ficando um pouco muda, diante de tantos acontecimentos políticos absurdos que tenho visto ao longo destes últimos dias. Estarrecida, eu vi um vídeo onde um grupo vestido de camisas vermelhas queimavam uma Bandeira do Brasil numa praça pública. Sou legalista e não me conformo que as regras estabelecidas pela sociedade sejam desrespeitadas. Quando as regras são agredidas e aviltadas, comete-se um delito. Ora, a Bandeira do Brasil é o símbolo legítimo de nossa Pátria, que não está ligada à partidos políticos, não está ligada à ideologias e não é uma seita composta de alguns idólatras tresloucados que vêm agora desafiando o espírito cívico do brasileiro e não são eles que podem tornar a nossa Bandeira Nacional um símbolo decaído e que merece ser queimado! De tudo o que eu ouvi e li nestes últimos dias, o que mais doeu em minh’alma foi a falta de respeito e comprometimento com o nosso Brasil, que é de todos, não tem dono, nem alegoria de partidos, pertence a todo cidadão brasileiro. O nosso Brasil, a terra onde nascemos, construímos nossa família, educamos nossos filhos, levamos nossos filhos para um futuro de esperança é o berço sagrado de nossa população, onde todos são iguais. Por isto mesmo quem transgride não é igual, se não é igual e pratica um delito, tem que ser punido.

Estamos diante de fatos antes inimagináveis. Vi no palanque em cima de um caminhão e ouvi todos os discursos impregnados de ódio e neste ambiente um Bispo da Igreja Católica faz um ato religiosamente político e partidário e entrega a comunhão, que é o Corpo de Cristo, a parte mais intocável de nossa Igreja e alguém a recebe como se fosse um pecador arrependido. Indignada, com este Bispo senil e sem noção. Não misture as coisas! E a aniversariante do dia mal foi citada.

E aí, como sou contemporânea da história, ouvi em altos brados a divindade dizer: “Não sou mais um ser humano! Eu sou uma ideia!” O Casanova usou a sua reputação de grande sedutor para abrir caminho para futuras conquistas. Mas que tiro foi este? Esta sedução torna-se uma espécie de cartão de visita que anuncia sua presença e enfeitiça os outros. Exatamente aí: enfeitiçamento, uma qualidade medieval, e fora de moda, mas que faz parte desta seita inflamada de ódio, raiva, vingança, exagero de poder diante da perda do poder.

Este é o meu Brasil de hoje. Este não é o Brasil que ensinei nas minhas aulas para meus alunos: “A minha terra é grande e bela e altaneira, ostenta invicta, uma linda bandeira!” Vejo minha bandeira destroçada, minha terra vilipendiada, vigora agora a falta absoluta de respeito pelas nossas instituições mais sagradas.

Aborrecida

Izaura Varella

Advogada e professora

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