Seguindo o caminho do rebanho…


Ao longo do tempo temos ouvido queixas dos homens, considerados agressores de suas mulheres ou familiares, a constante lamúria da não conformação com o rompimento dos laços afetivos que os unia. O macho trás consigo desde o berço, o patrimônio da virilidade, da potência, do domínio. Esta questão também é observada nos machos do mundo animal. O macho sempre é mais invasivo, não tem medo, ataca, é poderoso… Parece que no ser humano masculino o poder e o domínio é mesmo uma característica atávica. Como somos seres humanos que pensamos, vivemos em conjunto com os demais da sociedade, formamos família, a própria família, com seus costumes particulares consegue colocar no macho limites e assim o homem, com seus instintos naturais de domínio acabam se adaptando, com o objetivo de se dar bem. O ser humano não pode tudo mesmo. Há limites e limites que devem ser observados, rigorosamente, senão não seria possível viver em paz nem com a família, nem com os amigos e nem com a amada. Se não houver limites seremos sempre inimigos do outro.

Para aqueles que não tiveram treinados estes limites eles se revelam em agressões quando não conseguem superar os deslizes diários da vida em comum. A cantinela sempre é quase igual: a mulher não é sua companheira, mas sua propriedade, “se é minha, faço o que quiser dela e com ela”, inclusive agredi-la, se o desacordo foi mais pungente. E uma vez decretada por ela: “não quero mais você”, o mundo desaba para ele; a sua higidez masculina foi atingida. Esta não conformação com a separação, quando a iniciativa é da mulher, provoca um ciúme doentio, que na maioria das vezes se transforma em perseguição contumaz, em vigilância constante, em visitas inesperadas à ex-companheira, para xingá-la, falar palavrões, agredi-la, em perturbação da paz. Isto tudo acontece, geralmente, quando os filhos menores estão presentes e aí os filhos vão associando aos seus costumes os modelos de uma família em desarmonia, convivendo muitas vezes com a alienação parental. Alienação parental é uma expressão usada em direito para identificar o pai ou a mãe, que em razão de seus problemas pessoais, acaba falando mal do pai ou da mãe para os filhos, criando a ilusão de que a culpa é de um ou de outro. Tem sido este conceito motivo de condenação quando se trata de processos familiares.

Não obstante, o macho em fúria é capaz de tudo. Invade a casa que já não lhe pertence, sem avisar, porque não sendo mais provedor se acha no direito de dizer: “o filho é meu, entro na hora que eu quiser.” Não é bem assim. Há determinações judiciais que devem ser cumpridas. Uma vez dentro de casa se acha no direito de quebrar os objetos da casa e por ciúme quase sempre diz: ”se eu te ver com outro eu te mato”. Este comportamento masculino diante da perda daquela que um dia foi sua companheira prazerosa é que leva os juízos criminais ficarem abarrotados de inquéritos policiais.

Esquecem estes homens e também as mulheres que a maior parte dos problemas não estão na perda, na separação, mas na frágil capacidade de amar. O problema do amor está mais em ser amado do que em amar. Esquecem que uma pessoa só pode amar outra se conhecer a si mesma e respeitar a própria individualidade. A pessoa que não se conhece não consegue viver o amor verdadeiramente. Só então estará preparado para entender e respeitar o parceiro. Não há sala de aula de ensine como amar alguém e respeitá-la. A própria Bíblia nos adverte de que “se você não se conhece, seguirá sempre o caminho do rebanho.”

Izaura Varella

Em 16 de setembro de 2018

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