Relação da Doença Celíaca e a Odontologia

A Doença Celíaca (DC) é uma intolerância permanente às proteínas contidas no glúten de alguns cereais, como o trigo, o centeio, a cevada e a aveia. . A doença manifesta-se principalmente nos primeiros dois anos de vida, sendo o intestino delgado o principal órgão afetado, com manifestações clínicas de diarréia, vômitos e emagrecimento; porém, o diagnóstico, muitas vezes, é difícil, devido ao grande número de casos atípicos da DC apresenta várias formas clínicas e, nos últimos tempos, as mais comuns são as formas atípicas, cujos sintomas geralmente passam despercebidos. Dentre os principais sintomas, temos a anemia por deficiência de ferro, além de artrites, osteoporose, esterilidade, constipação intestinal, retardo no crescimento e hipoplasia do esmalte dentário.

Sendo assim, as formas clínicas da doença vêm se modificando e, cada vez mais, são latentes ou assintomáticas. Portanto, percebê-las exige o envolvimento, não somente do gastroenterologista, mas também, de vários outros profissionais da saúde, e é por isso que muitos celíacos só descobrem a doença depois adultos.

Quanto ao prognóstico, há a possibilidade de uma série de complicações quando não tratada, como esterilidade, osteoporose, endocrinopatias, distúrbios neurológicos e psiquiátricos, doenças hepáticas, doenças do sistema conjuntivo e associação com doenças autoimunes, tais como dermatite herpertiforme, diabetes mellitus, e doenças da tireóide

Algumas manifestações da doença celíaca ocorrem na cavidade bucal e cabe ao Odontólogo a competência do diagnóstico e tratamento dessas afecções. Entretanto, devido à falta de divulgação e informação específicas, poucos são os profissionais realmente aptos a tratar desses problemas, pois a Odontologia tem papel fundamental no diagnóstico e no tratamento das lesões a ela relacionadas. O diagnóstico precoce é fator indispensável na prevenção dos problemas.

A Doença Celíaca relaciona-se com a odontologia pelas alterações nas estruturas bucais, onde podemos citar as principais manifestações orais como os defeitos no esmalte na dentição decídua e permanente, ulcerações aftosas recorrentes, atraso no irrompimento dos dentes, diminuição do fluxo salivar, queilite angular, entre outras.

A hipoplasia do esmalte dentário, embora pouco destacada na literatura, é um sinal frequente, bastante comum na forma clínica silenciosa, sendo possivelmente a única manifestação da doença em crianças e adolescentes celíacos não tratados. A lesão é manifestada como um defeito no tecido do esmalte devido a uma injúria às células produtoras, os ameloblastos.

Segundo alguns autores, a hipoplasia do esmalte tem maior prevalência em pacientes com doença celíaca, quando comparados à população em geral; e também sugerem que pacientes que apresentam defeitos no esmalte deveriam ser investigados pela possibilidade de apresentarem DC.

Problemas dentários são menos frequentes em pessoas que desenvolveram a doença na fase adulta, pois já tem seus dentes completamente formados. Hoje, a informação vem sendo levada cada vez mais a um número maior de pessoas fazendo com que se difundam os cuidados a serem tomados em pessoas portadoras da doença celíaca e isso torna cada vez mais fácil prevenir danos maiores ou até mesmo corrigir mais facilmente os que já se manifestaram.

Dentro de uma alimentação controlada por um especialista, pode-se eliminar qualquer carência nutricional do indivíduo e que não ponha em risco a saúde geral do corpo. Nunca se deve esquecer que o celíaco é intolerante ao glúten, mas que a cadeia de alimentos é vasta e completa, e deve ser explorada de forma adequada a cada um, de preferência acompanhada por um especialista em nutrição.

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