QUANDO A ÁGUA POTÁVEL EM CIANORTE ERA VENDIDA COM CARROCINHA

Ao nascer do ano de 1.956, Cianorte já tinha o seu primeiro prefeito municipal, tão somente eleito. Não havia prefeitura, nem câmara, nenhum patrimônio e não havia nenhum orçamento e nenhum dinheiro disponível. O Prefeito Varella colocou seu próprio capital à disposição da prefeitura, para começar a pensar em fazer alguma coisa para o bem estar do povo e começou com 50 mil cruzeiros, de seu próprio bolso. Sequer uma caneta existia. Com imensas dificuldades a cidade brotava da mata. Caminhões carregados de mudança iam chegando todos os dias, começaram as pequenas construções de madeira e todos iam se arrumando como podiam. Mas, o cidadão precisava de água e como obtê-la? Não havia nenhum serviço de água instalado em Cianorte. Começaram, então, a perfurar poços em busca da água potável e a terra arenosa, sem consistência, não permitia que fossem rasos. Os poços cavados eram profundos, além de 45 metros de profundidade! Não havia serviço de esgoto, e fossas eram perfuradas para conter os dejetos, no mínimo com 8 metros de profundidade.

A Lei 10/56 de 18 de junho de 1.956 foi aprovada e era o primeiro Código de Obras do Município, que só permitia a perfuração de fossas numa distância mínima de 2 metros, afastados dos poços e das divisas de outros terrenos. Assim, as donas de casa se obrigavam a retirar água daqueles buracos sem fim, usando a própria força; minutos intermináveis e cansativos, virando a manivela, traziam para a boca do poço, o balde cheio de água que era transportada para dentro de casa. Esta água servia para beber, para tomar banho, pois, sequer haviam torneiras e encanamentos, para cozinhar, lavar e para outro tipo de higiene. A água também era usada para molhar a horta cultivada no fundo do terreno. A precariedade em se obter legumes, frutas e verduras obrigavam os moradores a fazerem hortas, criarem galinhas e até porcos no fundo do quintal. A água era indispensável para dar conta de todas estas tarefas que o viver exigia. As vezes era necessário encher um tambor de 200 litros para que as tarefas domésticas pudessem ser feitas. Sem dúvida, um mundo enorme de dificuldades, que foram sendo vencidas, devagar, mas com coragem ao passar dos anos. Quando havia muita dificuldade de se obter água, muitos donos de pequenos estabelecimentos comerciais que estavam sendo instalados compravam água potável de barrica. Esta água vinha dentro de tambores, em carroções de quatro rodas, puxados a cavalo, trazida da conhecida Bica, na saída para São Tomé. O senhor José Tomé era uma figura muito conhecida na cidade, por ser um dos primeiros transportadores de água.

Há relatos de que alguns poços secavam, colocando, então, o comprador do terreno que estava erguendo a sua casa, à custa de muito sacrifício pessoal, em situação muito difícil.

A Companhia Melhoramentos Norte do Paraná muito preocupada com esta inúmeras situações resolveu, então tomar para si a tarefa de instalar um serviço de fornecimento de água permanente, utilizando as águas dos ribeirões que se formavam na região da Bica. Mas isto é assunto para outra crônica, pois, a instalação do serviço de água chamado S.A.C.I. rendeu muitas histórias que contarei aqui, quando puder.

Izaura Aparecida Tomaroli Varella

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