Produtividade da soja varia na região Noroeste

sojaCom o tempo ajudando, a colheita de soja da safra 2015/16 vai chegando quase à metade nas regiões atendidas tradicionalmente pela Cocamar Cooperativa Agroindustrial – parte do norte e noroeste do Paraná, que compreende os polos de Maringá, Paranavaí, Cianorte e Umuarama.

De acordo com o Departamento Técnico da cooperativa, cerca de 40% das lavouras já foram colhidas e a média de 3.100 quilos por hectare tem ficado abaixo da expectativa inicial de 3.250 quilos/hectare. No norte do estado, centralizado por Londrina, onde a Cocamar atua mais recentemente, 15% das lavouras já foram colhidas – lá o plantio é normalmente mais tardio – com a média de 3.300 quilos por hectare, o que atende as estimativas.

O gerente técnico Leandro Cezar Teixeira explica que as médias de produtividade nos municípios variam bastante. Observa-se, segundo dele, desde quantidades muito baixas, como 1.240 quilos por hectare – que sequer cobre os custos de produção – a volumes significativos, por volta de 5 mil quilos/hectare, que asseguram alta rentabilidade.

Na visão de Teixeira, independentemente dos problemas climáticos que tenham incidido ao longo do ciclo da soja, como chuvas em excesso e uma estiagem durante a fase crítica de enchimento de grãos em janeiro, a agricultura regional padece da falta de um manejo adequado de solo. “Ainda se vê, em muitos lugares, falta de cobertura no solo, o que vai totalmente contra as práticas recomendadas”, cita. O gerente deixa claro que a falta de cobertura, assim como a compactação, podem prejudicar a produtividade até mais que eventuais intempéries. A prova disso é que, em propriedades de solos bem cuidados e protegidos, como as que adotaram o consórcio milho x braquiária no inverno, as médias têm sido expressivas. Isto se deve, segundo ele, a fatores como o armazenamento de água desde a superfície até as camadas mais profundas do solo – que minimiza o impacto de estiagens – e ao maior acúmulo de matéria orgânica, que melhora a fertilidade e a estrutura física. A braquiária, por sua vez, inibe o desenvolvimento da buva e outras ervas, sem contar que seu enraizamento agressivo oxigena o solo e elimina a compactação. Ao final, será dessecada para cobrir a superfície com grande quantidade de palhada.

O gerente explica que a falta de manejo de solo potencializou os problemas causados pela estiagem, pois, com as chuvas intensas dos últimos meses, as raízes da soja não se aprofundaram, o que deixou as plantas vulneráveis às variações do clima. Segundo ele, é necessário realizar um planejamento de médio e longo prazo para melhorar as condições do solo, possibilitando menor compactação, maior aeração e melhoria geral. “Temos produtores atingindo 6 mil quilos/hectare e o grande responsável por isso foi o investimento realizado na melhoria do solo”.

Para o coordenador técnico de culturas anuais da Cocamar, Emerson Nunes, a temporada 2015/16 será, de qualquer maneira, “uma boa safra”, o que pode ser atestado pelos números obtidos até o momento com o desenrolar da colheita. “Mas não será, com certeza, uma supersafra”, finalizou.

Texto: Ascom Cocamar / Imagem ilustrativa

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