Paraná deve chegar a 400 agências bancárias fechadas

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Cianorte aderiu hoje (9) à greve nacional dos bancários. No Paraná já há cidades com a categoria paralisada há quatro dias. Segundo informações da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná (FETEC-CUT-PR) eram 332 agências fechadas até ontem e deve chegar a aproximadamente 400 hoje. “Votamos em assembleia o indicativo de greve “, anuncia o presidente do Sindicato dos Bancários de Cianorte, Antônio Henrique Sobrinho (foto), citando que a paralisação segue em Cianorte, já que a proposta apresentada hoje de manhã pelos bancos foi recusada pela categoria.

Na região cianortense são 25 agencias com 220 trabalhadores. O movimento foi grande nas agências bancárias no centro de Cianorte na tarde de ontem. Sobrinho informa que não é feito nenhum serviço na parte interna do banco. Somente os caixas eletrônicos funcionam para serviços como depósitos, saques, transferências e pagamentos de contas.

A FETEC agrega 85% dos sindicatos dos bancários do Paraná, com aproximadamente 30 mil bancários e financiários. Há uma grande mobilização no setor. “A forte mobilização dos bancários no primeiro dia de greve já foi capaz de fazer com que a Fenaban reabra as negociações. Precisamos nos mantermos firmes nesta quinta (08) e sexta (09) para garantir que forças para pressionar os banqueiros na mesa de negociação. Pois, só a luta vai nos garantir avanços!”, avalia Elias Jordão, presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região.

NEGOCIAÇÃO – A greve nacional é a resposta da categoria à proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), apresentada no último dia 29 de agosto, de reajuste de 6,5% no salário, na PLR e nos auxílios refeição, alimentação, creche, e abono de R$ 3 mil. A oferta não cobre, sequer, a inflação do período, projetada em 9,57% para agosto deste ano e representa perdas de 2,8% para os bancários.

O primeiro dia de greve da categoria bancária em todo o Brasil, que aconteceu na última segunda-feira (6), foi considerado o maior da história. Em resposta a proposta rebaixada da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), 7359 agências, centros administrativos, Central de Atendimento (CABB) e Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) tiveram as atividades paralisadas. No final do dia, a Fenaban chamou a categoria para nova rodada de negociações que acontece hoje (9), às 11h, em São Paulo. Os números deste ano são 17,6% do que os do ano passado.

Para os banqueiros não há crise. O setor continua sendo o mais lucrativo do país. Somente em 2015, os maiores bancos do país lucraram quase R$ 70 bilhões. O lucro dos cinco maiores bancos (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Caixa) no primeiro semestre de 2016 chegou a R$ 29,7 bilhões, mas houve corte de 7.897 postos de trabalho nos primeiros sete meses do ano. Entre 2012 e 2015, mais de 34 mil empregos foram reduzidos pelos banqueiros.

Com data-base em 1º de setembro, a pauta de reivindicações dos bancários foi entregue aos bancos no dia 9 de agosto, já foram cinco rodadas de negociação, mas até agora a Fenaban não apresentou uma proposta decente aos trabalhadores. Entre as reivindicações estão reposição da inflação do período mais 5% de aumento real, valorização do piso salarial, no valor do salário mínimo calculado pelo Dieese (R$3.940,24 em junho), PLR de três salários mais R$ 8.317,90, combate às metas abusivas, ao assédio moral e sexual, fim da terceirização, mais segurança, melhores condições de trabalho. A defesa do emprego também é prioridade, assim como a proteção das empresas públicas e dos direitos da classe trabalhadora.

RECLAMAÇÃO – O Procon-PR alerta que nenhum prejuízo pode ser imposto aos consumidores por causa da greve dos bancários. O órgão de defesa de consumidor orienta ainda que se alguém tiver qualquer prejuízo, deve formalizar reclamação no Procon, podendo também utilizar a plataforma www.consumidor.gov.br para reclamar.

Outra greve iminente é a dos Correios. Os servidores tem uma assembleia agendada para hoje em Cianorte e a paralisação estadual está prevista para começar no dia 14.

Texto: Andye Iore, com Ascom FETEC / Foto: Andye Iore/Arquivo FOLHA 

 

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