Palestra alerta sobre a violência contra crianças e adolescentes

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O Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, celebrado em 18 de maio, contou em Cianorte com um evento especial de conscientização. Isto porque, na noite da última terça-feira (17), a prefeitura, através da Secretaria de Bem Estar Social, realizou no Auditório da Associação Comercial e Empresarial de Cianorte (ACIC) um momento de reflexão sobre o assunto, com palestras de especialistas na área. Toda a comunidade pôde participar.

As palestrantes da noite foram a médica pediatra e hebiatra, Dra. Odete Correa Antunes de Oliveira, e a psicóloga do Hospital Universitário de Maringá, Eidiclea Rodrigues Gonçalves. Durante suas falas elas puderam compartilhar experiências sobre o assunto e apresentar indicativos de como acontecem os abusos, formas de identifica-los, como agir e ainda a importância da denuncia.

Na ocasião autoridades do município interessadas no desenvolvimento e aprimoramento das ações no enfrentamento à violência estiveram presentes. O prefeito Bongiorno, salientou os incentivos que o Governo Municipal tem oferecido nesse sentido. “Não temos medido esforços para desenvolver um trabalho de apoio às crianças e adolescentes, tanto do ponto de vista físico, quanto psicológico, na estrutura que oferecemos”, disse.

O vice-presidente da Câmara Muncipal, Valdomiro Gonçalves Pereira, por sua vez, mencionou a importância de cada cidadão no combate “Precisamos estar atentos para identificar a violência e denunciá-la. Creio que o evento de hoje, de aprendizado, será fundamental nesse sentido”, apontou.

Para o representante do Escritório Regional da Secretaria da Família, Sidnei de Souza, apesar dos casos existentes, o município não apresenta um quadro tão preocupante como outras cidades do Estado. “Recebemos mapas indicando pontos de exploração sexual infantil no Paraná. E felizmente, na nossa região, diferente do que acontece em algumas rodovias federais, não temos nenhum ponto específico. Isso é reflexo, direto, do desenvolvimento, da vontade política e dos investimentos voltados para área”, frisou.

Segundo a juíza da Vara da Infância e da Juventude, Marília Mitie Yoshida, falta à sociedade conferir a real importância ao enfrentamento da violência infantil. “Estamos fazendo os trabalhos pelas metades, isso me preocupa bastante, pois é uma questão que não é levada a sério […] Uma coletividade que dá as costas para a criança e o adolescente, está dando as costas para o futuro. E quando a gente fala deste tipo de violência, não podemos somente pensá-los enquanto vitimas, mas enquanto sujeitos de direitos que elas são”, frisou.

CASOS – 
Em 2015, foram notificados 41 casos de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes em Cianorte. Destes, 11 aconteceram com meninos e os outros 30 com meninas. Em 95% deles foram cometidos por familiares do sexo masculino (padrasto, primo, vô, tio e irmão). A maior incidência aconteceu com crianças de 3 a 5 anos. A promotora de Justiça da Vara da Infância, Juventude e Idoso, Dra. Elaine Cristina de Lima, alertou quanto a participação de mulheres em casos de abusos. “Não são apenas os homens os envolvidos. Já tivemos casos de mulheres abusadoras e ainda de outras que participam desses atos por meio da omissão, que preferem fechar os olhos em nome do pacto existente entre a família”, relatou.

“Esses atos estão sujeitos a acontecer em todos os lugares do município, embora a maior parte deles sejam registrados em regiões mais vulneráveis. Ainda é importante salientar que a o meio pelo qual mais recebemos as denuncias é pela rede de proteção, que envolve Conselho Tutelar, instituições de atendimento à criança e ao adolescente, CMEIS, ONGS e anonimamente, dificilmente por meio da família”, informa a coordenadora do Centro de Referência em Assistência Social (CREAS), Carmem Lucia Sartori.

Abusos e violência sexual são atendidos pela Secretaria de Bem Estar Social, especificamente pelo CREAS. “Lá, atendemos todos os tipos de violência, inclusive a sexual. A partir do momento que recebemos a denúncia, trabalhamos a criança e a família para fortalecer os vínculos e empoderar a pessoa”, completa a coordenadora que já se mostra preocupada com os índices deste ano, que até 12 de maio atingiram a marca de 17 casos. “A sociedade precisa estar atenta para que absurdos como esses não voltem a se repetir”, disse.

“É importante salientar que trabalhos como estes são realizados durante todo o ano e que nesta data, em todo o país, os órgãos atuantes na defesa dos direitos das crianças e adolescentes investem mais em ações de conscientização. Em Cianorte, estamos buscando o apoio da população para o enfrentamento das formas de violência que, infelizmente, são diversas”, destacou a secretária de Bem Estar Social, Claudia Nunes Veloso Marchini.

Texto e foto: Ascom Prefeitura de Cianorte

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