OS CUPINS E O PAU BRASIL

Não há brasileiro que não tenha ouvido falar em CUPINS e suas consequências, quando estas espécies atacam a madeira, seja de uma parede, de uma porta ou de um armário. O CUPIM é um inseto invertebrado, conhecido também como siriri ou aleluia e os seus ataques em colônias, vão direto onde está a celulose e dela se alimentam. Os cupins estão entre os animais mais abundantes do planeta Terra e são capazes de trazer muito transtorno para qualquer ser humano. Estas criaturinhas não devem ser subestimadas, pois, podem ser capazes de colocar uma casa inteira de madeira ao chão. Um bichinho tão pequeno, mas que pode provocar um dano inigualável.

A árvore símbolo do Brasil, o PAU-BRASIL (Caesalpinia echinata), que produz um lenho avermelhado e flores amarelas que jogam para o ar um doce perfume semelhante ao jasmim, apresenta uma boa resistência à ação dos cupins. Só no Brasil existem mais de 300 espécies, que se adaptam tranquilamente nas áreas urbanas e raramente são atacadas.

Ora, por que estamos relacionando a ação nefasta dos cupins com a centenária árvore que pode alcançar 30 metros de altura, o nosso tão famoso PAU-BRASIL?

Então, vejam… Esta madeira era muito abundante no litoral brasileiro e em toda a Mata Atlântica, quando aqui chegaram os portugueses, lá pelos idos de 1.500. Logo a chamaram de pau-brasil porque a sua madeira tem uma cor exótica, semelhante a uma brasa e por este nome era conhecida pelos índios de então. Com a madeira do pau-brasil construíam seus arcos e flechas e com o extrato avermelhado da madeira faziam um corante vermelho que era usado para suas pinturas no corpo e enfeites. Viram os exploradores uma grande oportunidade de lucro ao extrair a madeira e dela produzir o corante, utilizado para tingir tecidos da nobreza e como tinta para escrever. Durante 30 anos consecutivos, indiscriminadamente, foi explorada esta riqueza do Brasil. Os índios ajudavam a derrubar a madeira gigante, cortavam, aparavam, e arrastavam-na até os navios que saíam do nosso litoral, carregados, direto para a Europa. E esta árvore rara nos dias de hoje foi quase levada à extinção.

Agora, passados mais de 500 anos a história do Brasil, se repete de forma vergonhosa. Os CUPINS nunca foram tão abundantes, e tal como o bichinho pequeno, mas persistente, e em grandes colônias, atacam o Brasil de forma vergonhosa, roubando nossas riquezas no emaranhado das contabilidades e no silêncio discreto de quem sabe usurpar a coisa alheia e o cofre brasileiro. Milhares de cupins tomaram conta do Brasil. Virou mesmo um mal do século e em bandos abundantes, discretos, por dentro do emaranhado dos caminhos dos cupinzeiros, estão detonando e levando ao chão a nossa Pátria. Embora o pau-brasil seja uma madeira um tanto resistente aos mal dos cupins, a Pátria Amada cedeu aos cupins de hoje quase toda a sua “celulose” e que não há inseticida capaz de acabar com os cupinzeiros.

Izaura Varella

Advogada e Professora

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