Olhando para si mesmo


Quantas vezes você olhou para si mesmo?

Não falo do simples olhar-se no espelho. Não. Não falo da análise física de si mesmo. Mas sim do olhar interior, aquele em que se para e coloca na balança suas atitudes, suas ações.

Nem sempre, pela atribulada correria do dia a dia – afinal de contas o mundo não para – conseguimos parar e refletir sobre nossa vida, sobre tudo o que fazemos.

Eu, como qualquer pessoa, também não paro para fazer essa reflexão – apesar de acreditar que isso é algo extremamente necessário desde que li um texto de Paulo Coelho que reproduzo abaixo:

“Ao cabo de dez anos de aprendizagem, Zenno achava que já podia ser elevado à categoria de mestre zen. Em um dia chuvoso, foi visitar o famoso professor Nan-in.

Ao entrar na casa de Nan-in, este perguntou:

– Você deixou o seu guarda-chuva e os seus sapatos do lado de fora?

– Evidente – respondeu Zenno. – É o que manda a boa educação. Eu agiria assim em qualquer lugar.

– Então me diga: você colocou o guarda-chuva do lado direito ou do lado esquerdo dos seus sapatos?

– Não tenho a menor idéia, mestre.

– O zen budismo é a arte da consciência total do que fazemos – disse Nan-in. – A falta de atenção nos pequenos detalhes pode destruir por completo a vida de um homem. Um pai que sai correndo de casa, nunca pode esquecer um punhal ao alcance do seu filho pequeno. Um samurai que não olha todos os dias a sua espada, terminará encontrando-a enferrujada quando mais precisar dela. Um jovem que esquece de dar flores a sua amada, vai acabar por perdê-la.

E Zenno compreendeu que, embora conhecesse bem as técnicas zen do mundo espiritual, havia se esquecido de aplicá-las no mundo dos homens.”

Apesar do texto focar no zen budismo, acredito que o mesmo se aplica a vida cotidiana. Quantas vezes não magoamos uma pessoa por um singelo gesto, ou uma palavra dita na entonação errada? E quantas vezes não somos nós que nos magoamos com as atitudes do outros?

E é nesses momentos que temos que parar e olhar para nós mesmos, vendo cada detalhe, cada pequena atitude para que possamos nos tornar pessoas melhores, reconhecendo nossos erros e tentando corrigi-los.

Além disso, com esse olhar interior podemos nos colocar no lugar dos outros e muitas vezes identificar que o próximo está gritando em silêncio por ajuda, pois quando tomamos consciência de quem realmente somos, temos maior empatia pelos outros, o que nos permite ajudar o próximo de forma mais clara e direta, já que muitas vezes, o outro só deseja ser ouvido e compreendido.

Juliano Secolo, agradece o espaço cedido por Izaura Varella Cianorte, 27 de Janeiro de 2019

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