O OUTONO ACABOU

No último dia 20 de junho a estação do outono encerrou sua passagem por este ano. A partir daí o inverno dominará o tempo. Será frio? Será quente? São conjecturas para o futuro. Melhor lembrar-nos da estação que encerrou, silenciosamente, a sua passagem pelo ano de 2.020.

Não ouvi ninguém falar do outono, só falar do frio que pode vir, incomoda, só fizemos aumentar os cobertores em nossa cama, passamos pelo outono como passamos, rapidamente, pelos dias de nossa vida. Nem percebemos que a estação acenava com seu adeus, nem sentimos que mais uma quadra da vida foi encerrada; o inverno está vindo meio vergonhosos, tímido sem saber muito o que fazer. Um dia nos dá um dia calorento, outro nem tanto. Aliás, não temos muito tempo para pensar nas coisas que passam.

E aqui nos lembramos do Dr. Francisco Busto Moreno quando disse: “O tempo passou e não me dei conta. Agora que tenho que prestar contas não há mais tempo”. Lindo, isto não?

Mas, o outono do ano de 2007, outrora, teve seus encantos, e foi sedutor no pôr-do-sol. Em Punta Del Leste, no Uruguay, pudemos, juntamente com os nossos amigos Adão Pedro de Oliveira e sua Creusa, apreciar o mais belo, o mais doirado ocaso de uma tarde. O amarelo vivo, rasgado de nuances avermelhadas brilhava, enquanto o sol se afundava no mar, em poucos minutos. Um vento frio açoitava as árvores dobradas ao furor do sopro do vento do entardecer. Atrás dos vidros do hotel ficamos apreciando o sol afundar-se no mar, como nunca tínhamos visto antes. Uma poesia, um cheiro de folhas caídas e levadas pelo vento, um cenário de aconchego que convida ao amor, inspirou o Adão, um poeta não assumido, a cantar uma Serenata de Schubert e ver um bailado nas delicadas folhas secas caindo e prometendo voltar na próxima estação.

Saímos pelas ruas friorentas apreciando a paisagem. As árvores ao sabor do vento iam se desnudando, mostrando-se seus galhos flexíveis que vibravam sem direção. Paramos para olhar as folhas amareladas dos plátanos desligando-se dos pequenos galhos e procurando o chão frio das ruas para adormecerem mais uma vez, na espera da primavera.

São estas pequenas coisas da vida, que fazem a vida valer a pena de ser vivida. Um encontro total com a natureza, um momento de entrega absoluta, uma simbiose verdadeira quando o homem se confunde com a poesia e o encanto do momento e consegue esquecer os problemas que açoitam o coração. É uma espécie de êxtase, mas só quem tem sensibilidade é capaz de sentir, plenamente, este encontro com a beleza. Senão cairá na fraqueza de se apreciar os monumentos da Grécia antiga e achar que as coisas velhas não lhe interessam.

Izaura Aparecida Tomaroli Varella

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