LÁ SE FORAM OS 65 ANOS DE CIANORTE

Fim nos festejos. Minha cidade amada já não tem mais 65 anos de fundação. Ela tem 65 anos e mais alguns dias e percebo que no suceder das horas ela caminha para a melhor idade. Mas, cidades, tais como os seres humanos, também tem melhor idade? Presumo que sim, porque à medida que alcançam os anos centenários elas se traduzem em histórias lindas e inesquecíveis e a melhor idade é aquela quando se tem história para contar. A experiência gravada ao longo do tempo não deixa de ser um livro de histórias de dores, mas também de sucessos e alegria. E tem histórias alegres que ficam escondidas e depois se revelam no início do inverno seco, tempo ideal para os ipês florirem e, de graça, sem nada pedirem, ansiando pela água que não vem, nas avenidas, eles se abrem resplandecentes para a brisa da minha terra e altaneiros explodem em cores. Mas, o que é encantador é efêmero também, devolvem às calçadas pétalas murchas criando um colorido no chão da minha terra. A florada dos ipês até no seu ultimatum é bela. Bendita natureza da minha Cianorte, que trás os pássaros das matas dos arredores para fazerem ninhos de bem-te-vi no meu jardim. Benditas perobas que dos seus 30 metros de altura podem estar acima da vegetação abundante e apreciar os andares dos prédios que crescem, querendo alcançá-las. Um misto de concreto e beleza natural, um misto de preservação ambiental e de devoção ao arvoredo, de onde o cimento não arranca a beleza do que cerca a minha amada cidade.

Minha cidade linda com seus erros e seus pecados, que não são seus, mas dos homens. Minha cidade, por cuja memória poucos cidadãos se interessam, pois, vivem do dia de hoje e o passado não interessa. Não obstante, é no passado que se assentam os valores humanos, é no passado que se encontram os rumos da história e é no passado que se transforma em hoje, e o hoje vira o amanhã, que se constrói o futuro. E por mais que se viva o presente, melhor é perguntar aos cidadãos de hoje,“quem são seus pais, de onde vieram, que sonhos trouxeram consigo?”, porque não há um ser humano e não há nenhum fato que não tenha deixado o desenho do passado.

Bendita cidade minha, que já sofreu tantas feridas, que se desvinculou da sua vocação cafeeira porque as geadas não quiseram, mas que se alegra ao ver a bandeira de sua cidade e a bandeira de sua pátria tremular ao vento indicando que uma história se solidifica tão somente com civismo e amor. Rendo meus aplausos aqueles que vieram pela primeira vez como eu, em tempos tão esquecidos, que plantaram a primeira pedra na primeira igreja, que cobriram a areia de asfalto, que plantaram flores, que plantaram as árvores, que levantaram a primeira sala de aula, que atenderam os primeiros enfermos, que pensaram em conjunto com o povo. Tive o privilégio de deitar em seu berço e que será, cidade amada, meu leito!

Izaura Varella

Cidadã cianortense

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