Ítalo Sega encara desafios na volta para Cianorte

italo02O delegado Ítalo Sega (foto), 52 anos, retorna para Cianorte para comandar a 21ª SubDivisão de Polícia Civil depois de sete anos. Ele trabalhou na cidade entre 2004 e 2009 e encontra uma situação bem diferente, apesar de ainda ter muitos problemas. Como a precária estrutura da cadeia e o tráfico de drogas na cidade. “Nunca uma delegacia terá a estrutura de um estabelecimento como uma prisão”, comentou sobre a situação que se encontra a cadeia cianortense. “Mas temos a perspectiva de fazermos um bom trabalho”.

Ele ressaltou que quando deixou Cianorte em 2009 tinha apenas seis investigadores em sua equipe e que agora tem quase o triplo. Além de ter agora a Delegacia da Mulher, a 5a Companhia Independente de Polícia Militar, entre outras situações. O delegado Ítalo Sega também fez questão de comentar que agora há um apoio maior da comunidade, como maior atuação do Conselho de Segurança.

E, principalmente, a parceria com a prefeitura e com o deputado estadual Jonas Guimarães que juntos conseguiram muitas melhorias para a Segurança em Cianorte. Mobilização essa que não é comum de acontecer até mesmo em cidades maiores. A expectativa do delegado é que até o final do ano ele receba mais um delegado e um escrivão para sua delegacia.

Ítalo Sega chega num momento que a cadeia cianortense está com menos presos que costuma ter, além da capacidade para 40 detentos. Até hoje são eram 105 presos, sendo que vinha apresentando o quadro de superlotação com o triplo da capacidade. Houve a transferência de 30 detentos na semana passada para a penitenciária em Cruzeiro do Oeste.

Outra situação que ele já tomou conhecimento são as obras na estrutura para inibir e evitar as tentativas de fuga. O trabalho é feito com acompanhamento de engenheiro. Somente esse ano foram aproximadamente 40 tentativas de fugas, com cinco com sucesso pelos presos que cavaram túneis para escapar. O que comprometeu a estrutura do local, já que o piso está cheio de buracos.

Previsão é que delegacias sejam esvaziadas até 2018

logo-policial5Ítalo Sega estava há três anos em Paranaguá, cidade com quase o dobro de habitantes que Cianorte e um maior volume de crimes. Como homicídios que tem esse ano mais de 40, enquanto Cianorte registrou dez mortes. Sendo que três delas foram legítima defesa com reação das vítimas e policiais contra os criminosos. Em 2015 foram apenas cinco assassinatos.

Sega volta para Cianorte confiante que o governo estadual, a Secretaria de Segurança e a Justiça sigam colaborando e melhorando a estrutura e que mais presos sejam transferidos em breve.

Há a previsão de que até 2018 não tenha mais presos nas delegacias no interior do Paraná. Ele comenta que o estado tenha um déficit de aproximadamente 10 mil vagas no sistema prisional e que isso vai diminuindo aos poucos. E que uma tendência no setor é aumentar o número de presos com tornozeleira eletrônica, que seriam hoje quase 5 mil no Paraná. Isso além de aliviar a situação nas cadeias e presídios, também facilita o trabalho policial, já que é possível monitorar onde o preso que ganha o benefício está, inibindo novos crimes.

OPINIÃO
FOLHA DE CIANORTE – Quais devem ser os seus desafios em Cianorte?
ÍTALO SEGA – Os principais problemas são com o tráfico de drogas. Apesar da Polícia Civil ter foco nos crimes contra a vida, como homicídios. Isso em Cianorte costuma ser baixo. Estou vindo de uma cidade que já passou de 40 homicídios esse ano. Mas devemos combater o tráfico e uso de drogas, porque isso leva a outros crimes. Temos que priorizar isso.

Por que é tão difícil evitar a entrada de material e drogas para os presos?
É complicado porque há leis que chegam a proibir uma revista íntima. E os visitantes não colaboram, não querem a ressocialização do preso. As mulheres costumam levar materiais diversos para os presos. E eu já passei por outras cadeias mais complicadas e adotei medidas lá que diminuíram essa entrada de objetos. Eu pretendo adotar aqui também.

O que o senhor pretende fazer para melhorar a estrutura?
Já estão em andamento algumas obras de estrutura. Eu vou reativar uma guarita, o que ajuda na vigilância da cadeia. Quero ter também uma sintonia nessa administração compartilhada da cadeia de Cianorte entre a delegacia e o Depen [o Departamento Penitenciário do Paraná]. E devemos receber ainda esse ano mais um delegado e um escrivão para a nossa delegacia.

Texto e foto: Andye Iore

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