Irene Gimenes Praxedes – Quem se lembra dela?

Cada vez que perdemos um companheiro de trabalho ou um amigo acolhido durante décadas, que de repente, sai de nossa vida para sempre, deixa uma lacuna que nunca mais será preenchida daquele mesmo jeito que era. Durante a vida inteira IRENE GIMENES PRAXEDES, construiu sua carreira de Professora de História ano após ano, até aposentar-se. Foram décadas de trabalho dentro da sala de aula ensinando civilidade, civismo, amor à Pátria, a história de nosso querido Brasil, com a convicção de que nossa história pregressa deveria ser respeitada por todos os cidadãos. Somados mais alguns anos que trabalho no Núcleo Regional de Educação quando eu a Chefe do Núcleo. Quantas vezes disse para seus alunos que a história de um país representa a própria história dos homens que o construíram. Batia com força sobre o aprendizado, cobrava com veemência que a história fosse apreendida para que a história dos ilustres nomes dos construtores de nosso país pudesse se eternizar e seus modelos de homens de bem deveriam ser seguidos. Pontual e cumpridora de seus deveres, não dava desculpas, não faltava às aulas, era verdadeira, clara, evidente, o que a tornava exigente, porque queria sempre mais de seus alunos.

Chegou em Cianorte lá pelos idos de 1968 e era casada com o advogado Dr. Benedito de Moraes Praxedes, um ilustre advogado da segunda década da cidade, que atuou como Procurador Municipal. Deixou seu modelo de bom advogado para seu filho Dr. César Augusto Praxedes, que hoje é advogado em nossa cidade. D. Irene, a nossa “espanhola” quando se brincava com ela, deixou em tristeza seus filhos Benedito de Moraes Praxedes Júnior, Afonso Celso Praxedes, César Augusto Praxedes, Flávia Carla Praxedes Santilli e Marco Aurélio Praxedes. Foram oito netos e um bisneto em que ela marcou seu exemplo de mãe cuidadosa, avó e bisavó. D. Irene era uma destas pessoas que nunca poderia se ausentar porque, religiosa e verdadeira como era, sempre era um exemplo a ser seguido. Por alguns anos, já no final de sua vida, se recolheu no silêncio da doença, para depois se abrir para o caminho verdadeiro da vida. Sua ida para o outro lado da vida, com certeza foi aplaudida pelos anjos que a rodeavam. Só deixou dor e tristeza para sua família, que em nenhum momento descuidou ela, e até o fim estiveram presentes, acompanhando-a diariamente, com cuidados necessários, com amor de filhos verdadeiros.

Quando somos surpreendidos com a perda de alguma pessoa amada, que faz parte de nosso relacionamento configura-se a grande constatação: “Por que?”. Tantos por aí piores e inúteis, celas abarrotadas de pessoas sem destino e sem propósitos, tantos outros por aí tidos como cruéis que permeiam nosso dia a dia e nos perguntamos: “Por que se perdem pessoas boas?”.

Se lamentar a perda é um remédio de consolação, a aceitação da perda também é um processo difícil, interior e lento, mas que nos conduz à cura. Um dos grandes mistérios da natureza humana é receber um golpe da morte e apesar de tudo ter-se que continuar vivendo. Viver também cura, às duras penas, mas cura. Depois do choque, da apatia e de uma sensação de descrença diante do nosso despreparo para enfrentar a perda, e depois da lamentação podemos começar outro processo que é o da ACEITAÇÃO. Diante do fato de que alguém que amamos não existe mais no tempo e no espaço, que não tem volta, que a realidade aponta para o “nunca mais”, há que se ter a aceitação. Faz parte da natureza humana aceitar, para não sofrer a ausência do ser amado. A aceitação não carrega culpa e nem lamentações, porque temos que viver, temos que criar nossos filhos, temos que seguir andar por este mundo estranho que nos dá prazer e dor, e temos, sobretudo honrar a memória de D. Irene que se foi, com 83 anos bem vividos , deixando exemplos a ser seguidos. Temos que prosseguir não importa a que preço. Até que a dor da perda esmoreça e se torne menor. E com certeza ela diminui. E o mais extraordinário evento de um ser humano é que somos capazes de crescer muito mais na dor!

Foi-se nossa D. Irene, foi-se nossa professora, nossa historiadora, foi-se a mulher preocupada com a memória de nossa querida Cianorte. Foi em paz! Cumpriu com louvor todas as tarefas que vida lhe deu!

Um dia a gente se encontrará pelas escolas do infinito!

Izaura Varella

Cidadã cianortense.

 

Compartilhe: