FAZENDO AS MALAS…

A viagem está próxima para ser feita e ainda a mala aberta não recebeu nenhuma peça de roupa. A bagagem, certamente, será pequena porque o peso da mala encarecerá a viagem. A roupa vai ser repetida tantas vezes que a situação exigir. Se tiver calor, abusar das bermudas não faz mal algum, mas se tiver frio melhor levar poucas peças, porque roupas de frio pesam também na mala. E sapatos? Quantos serão levados? Afinal só temos um par de pés e para que tanto, mas se a o jantar for mais requintado exige um sapato social. Porém, para sair na excursão de reconhecimento do lugar, sem dúvida um par tênis de farão bem aos pés e serão confortáveis. E no dia a dia? Mais um sapato! E um par de chinelos também. Pronto, a mala já se encheu de peso, sem contar a maquiagem que ocupa um espaço singular e que a autoestima não permite esquecer. Roupas íntimas? E roupas para dormir? Lá vai mais um espaço na mala. Um livro para ler nas horas de espera, onde o celular não pega e onde a internet não existe. Assim a mala vai ficando cheia com tudo aquilo que se diz indispensável, Assim a viagem será perfeita e prazerosa.

No entanto, a bagagem que mais pesa é aquela que não se quer levar, mas, que obrigatoriamente terá que ser levada. Não se deixa os sentimentos para ficarem no ponto de partida. Estes estão tão ligados e são inerentes ao ser humano, que por mais que se faça a bagagem material, os sonhos, os desejos e o mundo obscuro que se carrega lá dentro, também vão junto. Numa viagem ninguém será capaz de esquecer a bagagem da vida. Ela segue junto.

Durante a viagem se percebe que alguém ficou para trás. Não foi junto porque não tinha dinheiro, não foi junto porque o roteiro da viagem não lhe interessava, não foi junto porque tem medo de avião e de navio e assim fica chancelada a sua ausência. As ausências vieram para incomodar, porque durante a viagem não se pode se remeter às ausências, estas são páginas viradas que não adianta acender a chama da lembrança. O encantamento da viagem não lhe permite sofrer ausências, melhor esquecer e deixar-se levar pelas paisagens novas que tal como um filme passa à frente dos olhos. Mas, ausência não interfere no tamanho da bagagem, mas, importam num peso no coração. Melhor então, não declarar isto no porto de partida, para não ter que carregar pesos inúteis que trarão sofrimento.

Sair de viagem, descobrir novos horizontes e novas paisagens, deslumbrar-se com paisagens nunca vistas são atitudes que levam o homem a se tornar mais leve. Porque a bagagem da vida já pesa muito no dia a dia e inevitavelmente, temos que carregar a bagagem que a vida nos deu, queira ou não queira. O mais difícil, porém, é escolher o tipo de bagagem que vai se levar e nunca carregar pesos inúteis que o farão sofrer.

Izaura Varella – Professora e Advogada

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