Estudo revela perfil de inovação nas indústrias paranaenses

Uma pesquisa do Observatório Sistema Fiep traçou o perfil de inovação nas indústrias do Paraná. Denominado Bússola da Inovação, o estudo é atualizado pelo Sistema Fiep a cada dois anos. Mais de 900 empresas de 21 segmentos industriais, distribuídas entre 113 municípios do Paraná, participaram desta edição, sendo 81% delas micro ou pequeno porte.

O objetivo é avaliar como está o nível de esforços, de gestão e os resultados obtidos a partir da implantação de projetos inovadores. O presidente do Sistema Fiep, Edson Campagnolo, explica que a Bússola da Inovação reúne indicadores importantes para que gestores possam reavaliar o planejamento das empresas e ter mais segurança para tomar suas decisões. “Com os dados em mãos, nossas indústrias podem recorrer a fontes adequadas de crédito para investirem em tecnologia, em produtos de alto valor agregado, em adequação de processos, em melhorias de gestão. Tudo isso vai gerar um ganho significativo de competitividade”, garante.

Outro benefício para quem participa da Bússola é que, após realizar a sua autoavaliação online, os dados enviados são convertidos em um diagnóstico completo, capaz de retratar a situação da empresa. O resultado fica salvo e, nas próximas edições, é possível comparar o grau de evolução. De quebra, também recebe uma consultoria com uma série de medidas a serem implementadas para melhorar sua performance.

“É um processo de aprendizagem em que todos ganham. Nós, do Sistema Fiep, porque temos mais subsídios para qualificar nossos serviços e melhorar o atendimento às indústrias do Paraná por meio dos Institutos Senai de Inovação e Tecnologia e de consultorias técnicas. O empresário, porque consegue ter uma visão sistêmica do seu negócio, do mercado onde atua, dos concorrentes e de onde pode prosperar. E a indústria do Paraná, que se torna mais forte, capaz de produzir de forma inovadora e de gerar riquezas, contribuindo com o desenvolvimento do país”, reforça Campagnolo.

Os resultados desta edição revelam uma sensível evolução em relação à anterior, fator considerado positivo em função do período de crise dos últimos anos. Contudo, há espaço para muitas melhorias. Um exemplo é que 52% das empresas executam atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D), mas apenas 5% têm procedimentos bem definidos e só 9% consideram isso como alta prioridade. Outro ponto da pesquisa que chama a atenção é em relação aos métodos de proteção, que são procedimentos que garantem mais segurança às inovações, dificultando cópias e imitações.

Foi possível identificar a baixa adesão a estes métodos, o que pode colocar em risco as práticas inovadoras implementadas pelas empresas. O meio mais utilizado, ainda que presente em uma pequena parcela – 36%, é a marca registrada. Os acordos confidenciais, uma estratégica de caráter informal, é empregado em 21% delas. O registro de desenho industrial e de patentes foi sinalizado por apenas 7% dos pesquisados. “Este é um ponto que preocupa porque não garante a exclusividade de exploração da inovação, o que pode comprometer os ganhos da empresa, o valor percebido pelo cliente e pelo mercado, e a própria competitividade”, alerta a gerente executiva do Observatório, Marilia de Souza.

COMPETITIVIDADE

Para desenvolver inovações as empresas precisam interagir com meios externos para formar parcerias, alinhar interesses, definir custos e tempo de produção, buscar novas tecnologias e até para captar recursos. Ainda assim, o compartilhamento de experiências e informações deixa a desejar. “A maioria das inovações são internas, para adequação ao mercado. As empresas não estão conseguindo inovar para fora, para o mercado, para o mundo. Muitas não chegam a interagir nem com consumidores e fornecedores. Essa troca de informações é de fundamental importância para o sucesso de uma inovação”, comenta Marilia.

BUSCA POR RECURSOS

Um ponto que regrediu em relação ao cenário de 2017 foi a captação de recursos externos. Só 33% das empresas buscaram recursos de fora para seus projetos de inovação, enquanto o número anterior foi de 41%. A maioria utilizou recursos próprios, o que sinaliza que a capacidade de fomento está restrita ao autofinanciamento. “A performance das indústrias neste quesito confirma que elas encontraram barreiras para acessar crédito e que a maioria não atende às exigências impostas por instituições financeiras e agências de fomento. E isso pode limitar o investimento em ações inovadoras e comprometer os resultados. Neste cenário, 24% buscaram fonte privada, 17% pública e 5% em capital de risco”, explica Marilia.

Entre as dificuldades apontadas pelas empresas na busca por crédito, a mais evidente foi o excesso de burocracia, relatado como fator negativo por 34% das pesquisadas. O mesmo percentual para prazo, formas de pagamento e juros pouco atrativos. Depois vem o desconhecimento de editais de fomento e de disponibilidade de linhas de crédito, informados por 33% dos entrevistados. O que surpreendeu é que a existência de pendências financeiras ou jurídicas não teve muita importância para as empresas. Só 10% relataram que elas prejudicaram muito a busca por recursos.

Os demais pontos analisados no estudo mostram uma certa estagnação em relação à avaliação anterior e isso preocupa porque não houve avanço significativo. É o caso do ambiente interno, que aponta práticas de estímulo à inovação muito presentes; atividades de inovação, referentes a ações de rotina que contribuíram muito no resultado; investimentos; ações de apoio que incentivam a gestão da inovação; e informação e conhecimento sobre o assunto, dentro e fora da empresa.

RESULTADOS

A maioria das empresas obteve resultados expressivos com os investimentos em inovação. Também foi detectado que os esforços estão divididos em duas ou mais frentes. Cinquenta e sete por cento melhoraram produtos existentes ou desenvolveram algo novo. E 49% ampliaram a eficiência de processos internos e implantaram melhores práticas de gestão. Apenas 14% investiram em novos processos de distribuição.

“A inovação tem potencial de impacto sobre mercados, faturamento, na produção, em produtos e na comunidade. Queremos sensibilizar as empresas e mostrar, com os apontamentos do estudo, as dimensões da inovação para que os todos tenham um outro olhar sobre seu negócio. Os percentuais de sucesso reforçam a importância das indústrias se atentarem cada vez mais para este tema, e que reflitam e transformem suas práticas pensando no bom retorno que poderão ter no longo prazo”, conclui a gerente.

SOBRE A PESQUISA

A Bússola da Inovação está na quarta edição e contém dados de 906 indústrias, de 21 setores, instaladas em 113 municípios do Paraná. Os dados foram coletados entre fevereiro e dezembro de 2018 e compilados ao longo de 2019. A mobilização de empresas contou com apoio da ABRH Paraná, Agência Paraná de Desenvolvimento, Agência Curitiba, Assespro Paraná, BRDE, Fomento Paraná, Finep, Separtec, lideranças regionais, sindicatos e startups. Os resultados podem ser acessados gratuitamente no endereço www.bussoladainovacao.org.br.

Fonte: Patricia Gomes – Agência FIEP / Fotos: Gelson Bampi

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