DROGAS, O MAL DO SÉCULO

Caiu-me ás mãos uma historinha singela chamada a “A Lição da Borboleta”. Resumidamente, é a história de um homem que observava o casulo de uma borboleta e aí ficou olhando, por horas a fio, o esforço que a borboleta estava fazendo para sair do casulo. O esforço era tão grande que o homem percebeu que não havia mais progresso, então resolveu ajudar a borboleta a sair do casulo. Com uma tesoura fez uma abertura no casulo e a borboleta pode sair facilmente daquele aperto. O corpo saiu murcho e as asas bem amassadas e por mais ela esticasse as asas não conseguia voar, pois, elas não eram capazes de suportar o seu corpo. A borboleta passou o resto de sua vida rastejando e com as asas encolhidas, pois, nunca mais foi capaz de voar. O homem, em sua intervenção genti,l não compreendia que o esforço para sair do casulo era um passo importante para que o fluído de seu corpo passasse às asas e pudesse voar plenamente, ao sol de toda manhã. A intervenção inadequada suprimiu o esforço necessário para que a vida se fortalecesse.

Lembrei-me desta história quando fui advogada de uma pessoa com uma ficha policial de fazer inveja a qualquer malandro. Um jovem que mal tinha chegado aos 25 anos e com um histórico de roubos e furtos que certamente, depois de julgados todos os processos e as penas forem unificadas, vão lhe dar mais de 20 anos de prisão. E eu me perguntava: ‘O que faltou na vida deste jovem que comprometeu toda a sua adolescência e sua juventude e que nunca mais será recuperada e o que é pior, nunca mais será feliz?…’

Analisando melhor seu histórico percebi que suas delinquências estavam ligadas ao consumo de droga. Mesmo sem estar armado, para intimidar seu alvo, simulava por baixo da camisa que estava armado. Arrancava aí um celular, uns trocados, um relógio para sustentar o seu vício nas sombras da noite. Pequenos delitos, mas se houve intimidação e ameaça deixa de ser furto, passa a ser roubo e a pena se torna maior. Imagine dezenas destes eventos em sua vida, no que vai dar.

Estas pessoas quando crianças e na entrada da adolescência quase sempre revelam as mesmas características: não tiveram limites em suas vidas, os pais desatentos, nunca prestaram atenção aos sintomas. Muitas vezes são emburrados, acordam tarde, tem ciúmes, são imediatistas, brigam muito, não tem respeito por ninguém, falam o que querem e fazem o que querem, são mandões, egocêntricos, tem imaturidade emocional, relacionam-se mal, são turbulentos, tem oscilação de humor. Não manifestam brandura e nem amor.

Quando na prisão, conversamos com eles, nunca são culpados, a culpa sempre é do outro. Sempre tem medo, que penso ser um mecanismo de defesa diante de tanta tragédia. Como sair deste buraco sem fundo? Imagino a angústia dos familiares e amigos, porque esta pessoa precisa de ajuda externa, seja um psicólogo, seja um terapeuta, seja um conselheiro, com quem ele tem que aprender a abrir o seu coração. Para sarar desta doença, ele tem que cair em si e a maior intervenção que conheço que pode haver na vida de uma pessoa é Deus. Sem um a indicação religiosa, sem a crença em Deus é quase impossível, porque uma pessoa neste estágio já desistiu dos homens faz muito tempo. Vicktor Frank, um médico egresso do campo de concentração na Alemanha dizia com muita propriedade: “É preciso dar um novo sentido à vida!”.

Alguns países acharam solução para este problema isolando os dependentes de droga numa cidade só para eles. Quando estive na Dinamarca visitei um lugar assim. Aqueles que decidirem viver na droga são obrigados a viver numa cidade só para eles, onde podem comprar a droga, se isolar, e ficar do jeito que escolheram viver, só não podem consumir e viver no resto do país. Mas a Dinamarca tem 5 milhões de habitantes apenas… E o Brasil com seus 190 milhões, o que fazer para combater esta doença crônica, progressiva e fatal? Por isto acredito na Ressurreição…

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