Dr. Francisco de Assis de Macedo Freire e Mário Padial, cidadãos cianortenses – não podem ser esquecidos

Em vinte e quatro horas Cianorte perdeu dois cidadãos cianortenses que ajudaram a comunidade prosperar, cada um no seu tempo e na sua função. Dois cidadãos generosos e solidários faleceram em seis de maio, Dr. Freire como era conhecido e em sete de maio, Mário Padial, causando realmente, uma perda histórica para o município. Dr. Freire faleceu com 90 anos de idade, sendo um legítimo pioneiro de Cianorte, Mário Padial, funcionário municipal, mais jovem, faleceu de uma parada cardiorrespiratório depois de alguns dias internado em hospital. Sem dúvida, os habitantes mais novos de Cianorte vão dizer que não conheceram estes cidadãos, embora tenham feito parte de um passado de sucesso em Cianorte, quando, então dedicaram suas vidas à comunidade. É uma pena que os moradores mais recentes não conhecem os cidadãos que ajudaram a construir o município progressivo em que vivem.

Dr. Francisco de Assis de Macedo Freire chegou em Cianorte pelos idos de 1.957, já formado Dentista, buscando nestas terras que desbotavam da mata uma oportunidade para exercer a sua profissão. Veio do Rio Grande do Norte e logo que chegou aqui instalou seu consultório dentário numa casa de madeira na rua Piratininga, onde hoje há um estacionamento de veículos. Dr. Sidnei de Paula, também dentista foi o primeiro a se instalar em Cianorte, na esquina da avenida Souza Naves com a rua Ipiranga, em seguida veio o Dr. Freire. Homem alegre, animado, contador de histórias, com grande oratória, e muito envolvido com a comunidade social e política de Cianorte daqueles velhos tempos. Na verdade, não existia o cuidado com os dentes como se tem hoje. Pessoas da lavoura procuravam o consultório odontológico mais para fazer extração de dentes comprometidos. Os clientes eram pessoas honestas, que se comprometiam com o pagamento integral ou parcelado e eram pontuais com seus compromissos. Muitas vezes, bem me lembro disto, pagamentos eram feitos com frangos e outros produtos da roça, conforme ele mesmo contava rindo. Ele mesmo nos disse numa entrevista de anos passados, quando desfrutava de boa saúde: “Naquela época era completamente diferente de hoje. Qualquer consultório, tanto médico como odontológico, abrindo e tendo o espírito de trabalho era automático; a gente tinha clientes porque eles procuravam um profissional. E como todo mundo era novo na cidade, não interessava fulano ou sicrano morava numa rua ou outra; onde eles encontravam uma porta aberta e era um profissional eles iam, viam se o trabalho era bom, depois traziam as suas famílias. Tudo era muito fácil. Era só abrir o consultório e querendo trabalhar encontrava bastantes clientes.” (Dr. Francisco de Assis Macedo Freire – dentista).

O então primeiro Prefeito Municipal Wilson Ferreira Varella havia instalado uma escola com nível de primeiro grau chamada Escola Normal Silva Jardim em 21 de janeiro de 1.957, com o fim de formar professores para as escolas que se multiplicavam no município. E o prefeito em 1º de março de 1.959 tinha um plano de instalar o Ginásio Estadual de Cianorte, e sua instalação se deu em 20 de março de 1.958. O Ginásio Estadual de Cianorte foi criado pela Lei Estadual 3.603/58 de 20 de março de 1.958. Entrou em funcionamento no mesmo ano, e no ano de 1.959 já contava com 750 alunos matriculados! O Prefeito precisava indicar um Diretor para o Ginásio e precisava ser uma pessoa de expressão na cidade, embora Dr. Freire não fosse professor, mas, ele representava a pessoa certa ao ser indicado para o cargo. Dr. Freire foi o primeiro Diretor do Ginásio Estadual de Cianorte, que hoje é chamado de Colégio Estadual de Cianorte. Dr. Francisco de Assis de Macedo Freire, de profissão dentista, simplesmente, aceitou o cargo para colaborar. Como não haviam professores formados e habilitados para lecionar para o curso ginasial a comunidade foi chamada a colaborar de acordo com suas habilitações.

“Fui o primeiro Diretor do Ginásio Estadual Cianorte. A região estava se iniciando e todos cooperavam, desde o mais simples, até o mais intelectual. Naquela época o prefeito era o senhor Wilson Varella e sem política, sem nada, ele achou conveniente me escolher como diretor. Fiquei meio confuso, mas ele disse: “Precisa ajudar, cada um precisa ter uma parcela de responsabilidade para com a cidade”. Então eu assumi a minha responsabilidade, formei o corpo de professores e todos se comprometeram com uma parcela de responsabilidade. Foi relativamente fácil administrar como diretor. Lembro-me de alguns professores como Juvir Correa de Castilho, Agnello Correa de Castilho, Padre Luiuz Mark, Wilma Kobayashi, Maria Sonia Azevedo de Oliveira, Misael de Oliveira, do secretário da escola Waldemar Sato.” (Dr. Francisco de Assis de Macedo Freire).

Quem se lembra disto? Os professores daquela escola sabem disto? É aí que os nós historiadores lamentamos que a cidade não tenha memória e esta não é estimulada. Em 1º de novembro de 1.959 foi criado o Grêmio Literário Gilberto Freire, composto pela seguinte Diretoria: Presidente: Helena Cioffi, Vice-Presidente: Koiti Shinohara, Secretária: Terezinha Teixeira Campos e Tesoureira: Shirley Maria Nasser, alunos do ginásio, sob o estímulo de seu Diretor. O funcionamento do Ginásio Estadual de Cianorte começou com duas turmas de 5ª séries diurnas e duas turmas de 5ª séries noturnas, no prédio de madeira na esquina da Rua Piratininga com a Rua Abolição, onde funcionava a Casa Escolar Cianorte. Como não havia energia elétrica instalada, as aulas eram ministradas à luz de lampião de querosene. Dircéa Rocha Fagotti sucedeu Dr. Freire na direção do Ginásio Estadual de Cianorte. Os professores foram se sucedendo e eram escolhidos dentro da própria sociedade, sem formação pedagógica, mas com qualidades de cultura geral. Não havia professores especializados em determinadas matérias, mas eram pessoas cultas. O Agnello Correa de Castilho era formado em Química, mas dava aula de Português, a Professora Juvir Correa de Castilho era formada em enfermagem, lecionava Canto Orfeônico, a Wilma Kobayashi estava estudando História em Curitiba, mas eles tinham, sobretudo, boa vontade. (Citado pelo pioneiro Dr. Francisco de Assis Macedo Freire).

Ficou muito tempo solteiro e fazia parte da vida da vida social da cidade e participou ativamente na vida social do Cianorte Clube recém-fundado. Envolvido com a sociedade acabou sendo também político e candidato a Vereador na eleição de seis de outubro de 1.963, foi eleito Vereador na Terceira Legislatura, de 1.963 a 1.969, cujo prefeito foi o também médico pioneiro Dr. Ramon Máximo Schulz. Desligou-se do mandato político, mas, nunca se desvencilhou dos problemas da cidade, sempre acompanhando ativamente. Na década de 70 encontrou o grande amor de sua vida, a professora Maria Tereza Franzoni foi sua esposa dedicada que o acolheu até o momento de seu falecimento, sempre muito bem cuidado, não só por ela como a presença dos filhos sempre constantes, amainaram os incômodos de seu envelhecimento ao falecer aos 90 anos de idade. Cianorte deve muito a este cidadão do bem, pioneiro que ajudou a construir a cidade de Cianorte!

Mário Padial, também foi Vereador e quis o destino que no prazo de 24 horas dois ilustres cidadãos cianortenses fossem embora daqui para sempre. Conheci Padial na Câmara Municipal de Cianorte quando foi meu companheiro na eleição de 1.989 a 1.992, cujo prefeito era Edno Guimarães e ao qual era amigo e muito próximo. Homem simples, honesto, cooperador, humilde e muito próximo da população que o elegeu. Seu falecimento causou muita surpresa, pois, não indicava grandes problemas de saúde, até quando teve uma parada cardiorrespiratória que acabou levando-o para o campo de Deus. Participou ativamente como Vereador, sempre com lisura e classe, atendendo seus eleitores naquilo que era possível. Era servidor municipal e concorreu às eleições de 1993 a 1.996, não conseguindo eleger-se na primeira oportunidade. Entretanto, neste mandato teve a oportunidade de ser efetivado, em razão do afastamento de um vereador. Em 1.997 concorreu novamente e desta vez foi eleito, foi aclamado Presidente da Câmara Municipal, pelos seus pares, desempenhando esta honrosa função no biênio 1.997 a 1.998. Não desistiu da política, onde tinha grandes amigos e candidatou-se para as eleições de 2.001 a 2.004, sendo, posteriormente, efetivado na função de Vereador, no mandato de Flávio Vieira. Embora na oposição foi um vereador consciente sempre promovendo e aprovando os projetos cujos propósitos eram direcionados para o bem da cidade. Lamentamos, profundamente, a perda deste amigo, que deixou esposa, filhos e netos inconformados.

Meus dois amigos ocuparam definitivamente seus lugares ao lado de Deus!

Izaura Varella

Cidadã Cianortense

Cianorte, 8 de maio de 2.019

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