Dia de Campo tem mais de 500 participantes

20160822100522A reforma autofinanciada da fazenda, com a recuperação dos solos e a formação de pastagens de inverno, é um dos benefícios trazidos pela Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). A Fazenda Campina, considerada uma das propriedades de referência desse sistema no Brasil, situada em Caiuá, oeste paulista, recebeu no final de agosto cerca de 500 visitantes para a segunda edição do Dia de Campo sobre ILPF, promovido por Cocamar, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Universidade do Oeste Paulista (Unoeste).

De acordo com o proprietário, Carlos Viacava, que fez um pronunciamento na abertura da programação, outros benefícios proporcionados pela ILPF – que começou a adotar há quatro anos – são o aumento da lotação (mais animais na propriedade e o maior número na média por hectare), aumento da velocidade de ganho de peso, possibilidade de aumentar a cobertura das fêmeas a um ano de idade, economia nas despesas com nutrição, aumento e diversificação do faturamento, com consequente diluição de riscos. “A propriedade estará sempre com pastagens de qualidade, com solos recuperados, sem erosões, rica em matéria orgânica e contribuindo para a melhoria do meio ambiente em diversas situações”, afirmou.

No ciclo 2016/17, que começa a ser semeado em outubro, serão cultivados cerca de 1,3 mil hectares de soja. Essa área inclui a soma de outras duas propriedades do grupo: as Fazendas Santa Gina, em Presidente Epitácio, e São José, em Paulínia.

“O principal resultado da adoção da ILPF em fazendas de pecuária está na reforma da propriedade, ou seja, a colheita de soja paga todos os custos de produção”, observou Viacava, lembrando que na safra 2015/16, mesmo com o clima adverso durante boa parte da temporada, ainda sobrou, como lucro, a média de seis sacas de soja por hectare.

Com a integração, o rebanho das fazendas passou de 4.434 exemplares em 2013 para 5.107 neste ano, um aumento de quase 700 unidades. “Aumentamos a lotação em 25%, mas o nosso desafio é dobrar nos próximos anos”, afirmou o produtor.

“Nosso faturamento total, incluindo a fazenda de Paulínia, será 57% maior do que há dois anos graças ao plantio da soja e também a um pequeno aumento da produção de animais a serem vendidos em 2016. Por outro lado, ocorre uma expressiva diversificação no faturamento”, frisou o proprietário. Neste ano, 56% do faturamento das fazendas advêm da pecuária, 34% da soja e 10% da citricultura. Em 2014, esses índices eram, respectivamente, de 77%, 5% e 18%.

SUSTENTÁVEL – O Dia de Campo teve duas etapas. No dia anterior, houve palestras no Campus II da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) em Presidente Prudente. E, em Caiuá, ao se dirigir aos participantes, o coordenador técnico de ILPF da Cocamar, Renato Watanabe, destacou que o sistema de integração possibilita a sustentabilidade da fazenda. “Se o pecuarista não repensar o modelo do seu negócio, não vai conseguir se sustentar”, comentou. Enquanto, segundo ele, na forma tradicional a capacidade é de apenas 1 unidade animal por hectare, trazendo retorno incipiente, pela integração, fazendo a reforma de apenas 30% das áreas de pasto, é possível aumentar em 49% a capacidade de lotação no verão e 21% no inverno. “Em vez de três ou quatro arrobas por hectare, obtidos no método tradicional, com a integração é possível produzir 22 arrobas/hectare/ano, o que equivale a 47 sacas de soja por hectare”, acrescentou.

Para o pecuarista que não deseja se tornar agricultor, a opção é buscar um bom parceiro, que entenda do ramo, recomendou Watanabe.

Texto e foto: Assessoria Cocamar

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