Devoção e Fé marcam Caminha Eucarística à Nossa Senhora Aparecida

 

caminhada-eucaristica1O sol nem havia levantado ainda quando mais de 3 mil católicos de Cianorte e região começaram a se concentrar em frente ao Santuário Eucarístico Diocesano Nossa Senhora de Fátima para a 7ª Edição da Caminhada Eucarística à Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil, na última quinta-feira (12).

O Padre Audinei Carreira da Silva recebeu os fiéis explicando como seria realizada a Caminhada até a Capela Nossa Senhora Aparecida no distrito de Vidigal. Ele também abençoou a todos os participantes que saíram em peregrinação por volta das 06 horas da manhã.

Por todo o trajeto romeiros de todas as idades seguiram com demonstrações de fé e devoção com muita música e oração pedindo e agradecendo a intercessão e graça de Nossa Senhora Aparecida.

O trajeto com cerca de 13 quilômetros foi percorrido por cerca de três horas, e apesar da distância, os peregrinos seguiam sempre motivados e superando, as vezes os próprios limites, como prova de devoção. Durante o caminho as equipes de apoio forneciam água para hidratação dos romeiros.

A chegada em Vidigal foi marcada com muita alegria e seguida da missa celebrada pelo padre Cesar Augusto dos Santos e co-celebrada pelo padre Audinei e o diácono Nelson Trali. Ao final da celebração trezentas crianças levaram rosas e coroaram Nossa Senhora Aparecida.

DEVOÇÃO

Para muitos fiéis, a Caminhada Eucarística é mais do que uma forma de demonstrar o carinho, a devoção e a fé em Nossa Senhora da Conceição Aparecida. É uma forma de também agradecer por graças e até milagres que se concretizaram por sua interseção.

Na caminhada deste ano essa demonstração de devoção foi mostrada por uma senhora que carregou ao longo de todo o trajeto uma imagem de Nossa Senhora na cabeça. Ela percorreu todo o caminho ao lado de sua filha, que revezava com ela a missão de carregar a santa.

Bruno Ciavolella contou como foi sua experiência pessoal durante a caminhada. “Foi realmente uma experiência de fé. Não foi caminhar por caminhar. Cada passo alimentava mais fé e a certeza de que Deus para tudo vale a pena.”, afirma.

O Fotógrafo Anderson Theodoro também acompanhou a Caminhada Eucarística registrando os passos dos romeiros. “Esse foi o segundo ano que fotografo a caminhada, em determinado momento no ano passado pedi o tamanho da procissão, que deu 1 km de extensão. Nesse ano, no mesmo local chegou a 1,5 km. Minha experiência enquanto fotógrafo é diferente da experiência de quem está caminhando, eu consigo ver a massa se movimentando sentir a força e a determinação do grupo e não dos indivíduos. É algo que emociona pela fé e também por representar a força que nós enquanto grupo organizado temos.”, destaca.

E nem apenas homens, mulheres e crianças percorreram os 13 quilômetros da Caminhada. Um cachorro de pelagem preta e branca, provavelmente de rua, também chamou a atenção de todos seguindo os fiéis até o distrito de Vidigal, onde também acompanhou toda a missa.

Ao final da celebração os fiéis foram retornando em ônibus ou carona para Cianorte e o cachorro, muito esperto, aproveitou para pegar a carona, subindo num dos ônibus e descendo em frente ao Santuário Eucarístico, deixando surpresos todos que acompanharam sua, por assim dizer, aventura.

300 ANOS DE BENÇÃOS

Esse ano, a fé e a devoção dos fiéis foi reforçada pelas comemorações do Jubileu dos 300 anos de devoção a Nossa Senhora Aparecida, cuja imagem foi encontrada no Rio Paraíba do Sul em outubro de 1717 pelos pescadores João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia que ficaram encarregados de conseguir peixe para a festa que a Vila de Santo Antônio de Guarantinguetá iria oferecer ao governante da capitania hereditária de São Paulo e Minas de Ouro, que estava de passagem pela região. O problema é que, naquela época, não era tempo de peixe naquele mês.

Após várias tentativas puxando a rede no Rio Paraíba do Sul, um pedaço do corpo de uma imagem de Nossa Senhora Conceição apareceu para os pescadores. Curiosos, eles lançaram a rede mais uma vez e pescaram a cabeça da imagem, que se encaixou perfeitamente ao corpo.

Eles colocaram a imagem da santa no barco. E depois disso,  os peixes começaram a aparecer, em quantidade abundante, tão grande que quase fez o barco virar, segundo os relatos históricos da tradição católica.

A imagem da santa foi então levada para a casa de Silvana da Rocha Alves, esposa de Domingos, mãe de João e irmã de Felipe, que juntou as duas partes com cera e fez um altar para a santa. E foi ali que teve início a devoção à santa: todos os sábados os moradores iam até a casa de Silvana para rezar para Nossa Senhora – que depois tornou-se padroeira do Brasil.

Anos depois, já em 1732, o pescador Felipe Pedroso entregou a imagem a seu filho, que construiu o primeiro oratório aberto ao público. A partir daí, foi construída uma capela, uma igreja, uma basílica até que, em 1946, foi lançada a pedra fundamental para a construção do novo santuário, o quarto maior do mundo, iniciada em 1955.

Texto: Juliano Secolo FOTOS: Anderson Theodoro

 

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