Descubra porque as mulheres sofrem mais com o bruxismo que os homens

O ritmo alucinante da vida moderna, e a inserção da mulher na sociedade com os mesmos compromissos que o homem, ou muitas vezes até mais, além de enfrentar as competições no trabalho, e assumirem uma boa dose de culpa por não terem o tempo que gostariam para se dedicar aos filhos e a família, desencadeia uma série de patologias, onde destacamos as dores craniofaciais.

Esse acúmulo de funções e responsabilidades tem levado muitas pacientes a fazer tratamento para dor no maxilar, dor generalizada na face, dor de cabeça, dor de ouvido, perturbações no sono, tensão e rigidez nos ombros etc. As causas dessa vulnerabilidade feminina se encontram além das variações hormonais, também nos fatores comportamentais; e tudo isso é sintoma comum em quem sofre de bruxismo.

As razões psicológicas e físicas ainda estão sendo estudadas, mas é fato constatado em pesquisas mundiais que 90% das mulheres entre 30 e 45 anos sofrem de dores craniofaciais. Muitas creem se tratar de dor de cabeça crônica ou enxaqueca, mas assim que iniciamos o tratamento, percebem que sofrem de bruxismo.

As dores têmporo mandibulares, que se repercutem por toda a cabeça, maxilares, pescoço, ouvido e ate mesmo nas costas, são queixas muito comuns nessas pacientes. Chegam a limitar ações como falar, morder e mastigar. Depois de alguns minutos de conversa, os motivos de todo o sofrimento físico vem à tona: depressão, estresse, ansiedade e medo.

Enquanto o homem tem menos tendência em somatizar os problemas, e quando o fazem, costumam apresentar distúrbios gastrintestinais ou doenças do coração, as mulheres tendem a concentram na região da cabeça os seus problemas. Imagine se uma pessoa passasse 24 horas por dia trabalhando o músculo da perna. Em pouco tempo não conseguiriam nem andar. Agora, imagine uma pessoa que força o tempo todo, acordada ou dormindo, a musculatura dos maxilares, apertando ou rangendo os dentes. Em pouco tempo a dor se torna insuportável e a paciente tem a impressão que tudo dói.

Alguns fatores locais também contribuem para acentuar a dor, como alterações respiratórias, hábitos como roer unhas ou goma de mascar, e ainda o posicionamento incorreto dos dentes que forçam a uma postura muscular alterada. É importante não ceder ao comodismo de se automedicar com analgésicos e anti-inflamatórios, porque além de não resolverem o problema, acabam causando outros males e perdendo a eficácia.

As pacientes com disfunção temporomandibular devem receber tratamento integrado. Alterações na posição dos dentes e no emocional devem ter peso semelhante na avaliação. Dentistas, psiquiatras, fisioterapeutas, psicólogos, fonoaudiólogo e outros profissionais da saúde devem estar preparados para diagnosticar e encaminhar esses pacientes ao tratamento adequado.

Colaboração: Dr. Wagner Destéfano

Cirurgião Dentista – CRO 10637

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