CUIDADO COM A AUTO-MEDICAÇÃO!

A necessidade de medicar-se é um sinal de que existe doença e que o organismo não conseguiu superar a patologia, ou ainda, a agressão do procedimento cirúrgico necessita de medicação e assim prescrevemos medicamentos que são importantes para trazer conforto aos pacientes.

O cirurgião-dentista pode prescrever qualquer classe de medicamentos que tenha indicação comprovada em odontologia, inclusive os de uso controlado. Os mais comumente administrados pelos cirurgiões-dentistas são anti-inflamatórios, analgésicos e antimicrobianos, exigindo, entretanto, que profissional tenha conhecimento farmacológico da medicação prescrita, bem como seus adversos, possíveis interações, indicações e contraindicações.

Em Odontologia os medicamentos mais receitados são os analgésicos, anti-inflamatórios e antibióticos, pois as doenças mais comuns que atingem a região oral são de origem geralmente inflamatória ou infecciosa.

Tomar medicamento deve ser sempre no sentido de combate a uma doença, obedecendo regras como a dose, tempo ou intervalos e duração até debelar o quadro. Ao tomarmos um analgésico, passado um tempo e não obtivermos resposta, algumas situações estão acontecendo: ou o analgésico é contra indicado para a doença ou a dose está baixa, ou ainda, antinflamatório ou antibiótico precisam ser associados. Não adianta encher-se de comprimidos, pois outras consequências certamente aparecerão.

Com antibióticos, o compromisso é mais sério, pois a resistência bacteriana é uma realidade dura e pode levar, em alguns casos, até a morte, do indivíduo. Quando você estiver usando antibiótico, cuidado com a dose, o tempo ou intervalo e principalmente a duração total do uso. Infelizmente, é muito comum os pacientes falarem que depois de tomada algumas cápsulas e como o quadro melhorou, decidem por conta parar com o medicamento.

Nunca você deve parar com um antibiótico, pois isso provoca a resistência dos microrganismos patogênicos, e com certeza essa interrupção provocará prejuízos futuros quando voltar usar esse medicamento. Portanto, o ato de medicar-se requer responsabilidade.

Outro problema bastante comum que percebemos é a automedicação, que além da combinação errada de remédios, que aumenta a possibilidade de interação entre eles, provoca efeitos adversos no organismo.

No caso da gestante, devemos sempre avaliar a relação entre benefício e risco, quando indicamos o uso de antibióticos. Por exemplo, as tetraciclinas, quando administradas até a segunda metade da gravidez causam hipoplasia dos dentes e dos ossos do feto, portanto, devem ser evitadas.

Outra questão é se os antibióticos cortam o efeito dos anticoncepcionais, e quanto a isso podemos dizer que nas últimas décadas isso mudou, pois a medicina baseada em evidências ganhou espaço em relação ao que podemos chamar de medicina baseada em teorias.

Baseado em ampla literatura científica, somente um tipo de antibiótico pode ser realmente considerado responsável pela redução da eficácia dos anticoncepcionais hormonais: a Rifampicina (e o seu derivado rifabutina). Fora a Rifampicina, nenhum outro antibiótico apresentou, aos diversos estudos, qualquer sinal de que possa cortar os efeitos da pílula anticoncepcional.

Em resumo, podemos dizer que qualquer medicamento deve ser sempre usado sob prescrição médica e com muita responsabilidade para o sucesso do tratamento.

Colaboração: Dr. Wagner Destéfano

Cirurgião Dentista – CRO 10637

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