Continuo a andar….


Em minha adolescência, lá na década de 1990, eu era um rebelde sem causa como todo jovem é nessa fase da vida. Como minha família nunca foi de muitas posses, minha revolta se concentrava basicamente na falta de dinheiro para realizar caprichosos desejos.

Na época eu achava que a vida era injusta, pra não dizer uma porcaria. Achava que era infeliz por não ter as coisas que eu desejava ou via que os outros com melhor possibilidade “conquistando”.

Em minha juventude eu não entendia ainda o valor do “suor”, como meus pais me ensinaram ao longo da minha vida, valorizando o trabalho e, principalmente, que não há dificuldade que eu não possa superar.

Mas, enfim, quando adolescente vivia revoltado por nunca ter nada do que eu queria por falta de condições financeiras, já que somente meu pai trabalhava para sustentar ele, minha mãe, eu e meus dois irmãos.

De toda forma, eu ficava irritado em busca de uma desculpa pra poder ser “revoltado”. E isso só mudou depois que compreendi o que dizia uma música que eu adorava na época. A canção em questão trata-se de “Carro e Grana” do Leoni. E, apesar da mensagem que a letra apresenta, basicamente um único trecho foi necessário para me abrir a mente:

“Já tive carro e grana

E um monte de convites pra qualquer lugar

Hoje eu só ando a pé

Mas eu continuo a andar”

Quando compreendi esse trechinho um estalo me abriu os olhos para ver que a felicidade está presente na vida, desde que notemos as coisas de forma simples.

As vezes nos frustramos com os desejos que não realizamos, ou nos deparamos com dificuldades que nos faz desistir de lutar e nos deixa revoltados. E ao invés de buscar soluções e lutar pelo que queremos, preferimos reclamar e ficar inertes.

Nos esquecemos que a vida nos apresenta tudo que precisamos e que o resto é simplesmente luxo. Esquecemos que o principal é que apresar de todas as dificuldades que se apresentam diante de nós na vida, nós devemos continuar a andar.

E após descobrir isso minha vida que era cheia de frustrações e dificuldade se tornou mais branda pois, sei que é possível ser feliz com o mínimo, basta querer ser simples. É por isso que “continuou a andar”, pois a minha felicidade está no fato de eu estar vivo e ter a capacidade de continuar seguindo em frente.

Juliano Secolo, agradece o espaço cedido por Izaura Varella

Cianorte, 20 de Janeiro de 2019

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