CIANORTE, 10 DE MAIO DE 2.020

Oi, Mamãe, como vai?

Faz algum tempo que a gente não se fala, mas não é porque eu a esqueci; é que Deus quando a levou junto com meu pai, naquele acidente doloroso, por mais que implorasse ninguém me passou o seu endereço. Como o céu é muito distante e inatingível, eu sabendo que Deus a levou, (sei com certeza que está com Ele), mesmo sendo sua filha eu a procurava por muito tempo. E eu, cheia de dor, padeço diariamente com sua ausência. Você foi uma mãe silenciosa, que compreendia muito bem sua filha pequena, a terceira na ordem de chegada. Sempre me vestia com vestidos de babados, cuidava do meu cabelo curtinho, que meu pai mesmo cortava, e fazia franjinha naquele cabelo liso de criança. Eu também era silenciosa, pois não compreendia muito bem o mundo que eu vivia. Aí, você quis colocar no meu coração a fé em Deus, colocando-me num colégio de freiras, onde aprendia a amar a Deus, Maria Auxiliadora e São João Bosco. Foi aí que me descobri adolescente e a minha casa tinha tantas regras ditadas pelo meu pai que eram difíceis de cumprí-las todas; o não cumprimento significava bons castigos. A minha tarefa diária em casa era moer o café em grão que você torrava naquele torrador preto de ferro. Atrás da porta da cozinha ficava o moinho que eu movia a manivela cantando. Você, minha mãe, fazia a comida e eu ajudava a lavar os pratos, subindo num banquinho para alcançar a pia, pequena que eu era.

Eu achava que você era eterna e nunca passou pela minha cabeça perder você. Ora, mãe é para sempre, mãe é permanente, mãe é para acompanhar os filhos pela vida. E você me deixou, mamãe, tão cedo, com seus netos nascendo, e que não lembram sequer de sua voz e de seu rosto. Você foi embora de repente, não me disse adeus, nãos nos despedimos e sequer o último beijo foi dado. E nem meu pai. O acidente que levou os dois de mim acho que foi um propósito de Deus, pois busquei na minha vida toda, ser tal qual você era, generosa, e seus bons exemplos ficaram eternamente ligados em mim. Mas não cheguei nem perto de sua bondade, nem perto do seu silêncio de moderação, nem perto de seus cuidados constantes.

Um feliz Dia das Mães, onde estiver, permanecerá sempre viva em mim.

Izaura Varella

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