Campanha do Laço Branco: conscientizar homens para salvar mulheres

ma das principais campanhas de combate à violência contra as mulheres, a Campanha do Laço Branco teve início em 1989 diante do assassinato de 14 mulheres que cursavam engenharia em uma universidade no Canadá. Desde então, o movimento cresceu, tornou-se mundial, e virou exemplo da promoção da igualdade de gênero e defesa dos direitos humanos.

Criada a partir de um grupo de homens que se mobilizou após a tragédia, o movimento é celebrado em 6 de dezembro e foi instituído no Brasil em 2007, com a sanção da lei que criou o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

MACHISMO MATA?

Em 1989, o jovem Marc Lepine entrou em uma sala da Universidade Politécnica de Montreal, no Canadá, assassinou 14 estudantes de engenharia e depois tirou a própria vida. Em uma carta, ele justificou o ato afirmando não suportar a ideia de ver mulheres estudando engenharia, um curso que considerava que só poderia ser feito por homens.

No Brasil, foram registrados mais de 38 mil denúncias de violência contra a mulher no primeiro semestre de 2018, segundo dados da Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180. Os dados do disque-denúncia apontam que, em 2017, foram feitas mais de 73 mil denúncias e 82 mil relatos de violência contra a mulher, isto é, quando o denunciante ou a vítima não autoriza o encaminhamento da denúncia às autoridades competentes.

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados em agosto, foram registrados no País 63 mil homicídios intencionais no ano passado e os casos de mulheres vítimas da violência chegaram a 4,5 mil no mesmo período.

CONSCIENTIZAÇÃO

Esses casos podem parecer extremos, mas apontam para a importância da promoção da igualdade de gênero em relação às mulheres, algo ainda sentido por elas atualmente, conforme explica a roteirista Laís Cecilia Ribeiro, 26.

Eu vejo muito isso no âmbito profissional. Muitos homens se impõem para parecerem mais espertos e se sobressaírem em relação às mulheres – às vezes sem nem perceber”, destaca. “Acho muito importante a conscientização dos homens sobre isso, porque o machismo está na nossa cultura e a gente precisa transformar isso”, avalia.

A visão da roteirista também é mostrada em dados na sociedade brasileira. Ainda hoje, homens ganham mais que mulheres mesmo exercendo a mesma função. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2016 as mulheres trabalharam, em média, 73% (contando afazeres domésticos, jornada parcial e cuidado a pessoas) a mais que os homens para ganharem, em média, 76,5% do rendimento obtido por eles.

Para o músico Matheus Attiê, 25, é importante que homens se conscientizem sobre a igualdade entre homens e mulheres e conversem sobre esse tema com amigos e familiares. “Cada vez mais temos que falar sobre isso, pois é uma realidade ainda muito presente em nossa sociedade. Temos que conversar entre nós mesmos, homens, sobre machismo, violência contra mulher – trazer esse debate para nosso círculo de convivência”, avalia.

Fonte: Governo do Brasil, com informações do Ministério dos Direitos Humanos, Compromisso e Atitude e Fórum de Brasileiro de Segurança Pública

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