ALÉM DO MURO

Aos dezoito anos de idade, em plena fase da juventude, anos sessenta, onde os hormônios se agitam e querem liberdade e aventuras ela pensava com seus botões, sempre silenciosa e recatada para não deixar que os outros advinhassem suas elocuções solitárias, que o ano 2000 estava tão distante, mas tão distante que chegar até ele haveria um muro tão alto que não lhe permitiria atravessá-lo. A morte, sem dúvida viria antes e era preciso viver intensamente esta juventude, eis que não havia certeza de nada. O tempo rodou os relógios do mundo e nas milhares de volta que deu ao longo dos anos, colocou-a não só contemporânea do ano 2000, mas, vivendo a modernidade do ano de 2018. Olhando para o deserto do tempo que passou, quase nada se acumulou de sonhos, porque sonhos existem para se realizarem no futuro, e o futuro é hoje! Passam-se fases, as mudanças são cosmopolitas e combinam com tudo que o tempo permite, mas sempre haverá desejos, sempre haverá vontades, sempre haverá planos para serem realizados. Só que com o passar o tempo e ela chegando ao ano de 2018 e carregando na alma experiências nada desprezíveis, os sonhos passaram a ser mais curtos e mais rapidez exige o tempo para serem realizados. Não se planeja mais nada para daqui a 30 anos, pois, trinta já se passaram e olhando na arca guardada das reservas da vida, quase nada tem lá dentro. Olha-se para trás e percebe-se que o investimento, não material, mas espiritual, quase não foi feito e que os dias passaram tão rápidos que se dá a impressão que deslizam como águas rápidas de um riacho murmurante. As próprias experiências pessoais são esquecidas e chega-se aos sessenta ou setenta anos como se a vida estivesse começando. A impressão de não ter acumulado nada é presente, e as histórias negativas, com dores e fracassos em determinados momentos se agigantam e tornam-se muralhas quase intransponíveis. Aí chega aquela força que acumulou ao longo dos anos da vida e indicam para ela que o caminho não é por aí, mas deve-se seguir a via da complacência, a via da resiliência para não se deixar abater, porque é muito triste morrer depois de ter acumulado tantas experiências e tanto conhecimento e não poder dividir com ninguém. Não dividir com ninguém, não por egoísmo, mas há experiências tão particulares que não se generaliza, e servem tão somente para aquela pessoa. Bom mesmo é subir no muro da vida e do alto do muro poder vislumbrar a calmaria e a doçura que existe além do muro… para quem acredita!

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