Adolescente morre dentro de escola estadual ocupada

colegio-curitibaUm adolescente de 16 anos foi encontrado morto com facadas no pescoço e no tórax em um colégio estadual, que está ocupado por estudantes, em Curitiba, de acordo com a Polícia Militar (PM). A situação aconteceu na Escola Estadual Santa Felicidade por volta das 15:30 horas desta segunda-feira (24).

Os socorristas do Corpo de Bombeiros que atenderam a ocorrência chegaram ao local em poucos minutos. Eles encontraram uma jovem tentando reanimar a vítima, que não resistiu aos ferimentos. Fotos tiradas dentro da escola mostram muito sangue dentro de uma sala e o corpo do jovem caído em um corredor, junto a outra grande poça. Além disso, uma faca suja de sangue foi encontrada próximo ao corpo.

Alguns estudantes afirmam que o garoto teve uma briga com outro jovem, mas a polícia ainda está investigando as circunstâncias da morte. A vítima foi identificada como Lucas Eduardo Araújo Lopes. Ele era aluno da escola.

Uma vizinha da escola contou que ouviu bastante gritaria dentro e em seguida uma correria dos alunos. Ela disse que até então a ocupação era pacífica, mas os portões estavam abertos e muita gente conseguia entrar e sair. “Foi assustador”, comentou. Testemunhas disseram que o jovem teria se envolvido em uma briga.

O titular da delegacia de Homicídios, Fábio Amaro, compareceu no local para iniciar as investigações.

Em nota preliminar divulgada nas redes sociais, o movimento Ocupa Paraná informou que ainda “não há nenhuma informação concreta sobre a motivação dessa morte e também nenhuma informação repassada aos mais de 10 advogados do movimento que estão proibidos de entrar no local para dar suporte aos outros estudantes da ocupação que estão lá dentro com a polícia civil”. Logo após a publicação da nota pelo movimento, um advogado e um casal de pais de estudantes foram autorizados pela polícia a entrar na escola.

Neste fim de tarde, o Governo do Paraná confirmou que o caso se trata de homicídio, porém, ainda não deu mais detalhes sobre motivação e autoria do crime.

A Secretaria de Estado de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SESP) informou que o adolescente era aluno da Escola Estadual Santa Felicidade. Conforme a SESP, o caso está sendo tratado como prioridade pela Polícia Civil e pela Polícia Científica.

O governador Beto Richa (PSDB) emitiu uma nota de pesar pela morte do adolescente. O movimento Ocupa Paraná  e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP- Sindicato) também se manifestaram por meio de nota.

OCUPAÇÕES

Desde 3 de outubro, o Paraná vivencia o movimento de ocupação das escolas estaduais. O movimento Ocupa Paraná afirma que são 850 instituições de ensino ocupadas, 14 universidades e três núcleos. A última atualização foi feita na sexta-feira (21). Onde há ocupação, as aulas estão suspensas.

O número da Secretaria de Estado de Educação é diferente: 792 colégios estão ocupados – isso significa 33% das escolas. Os jovens se dizem contrários à apresentação da medida provisória que promove mudanças no Ensino Médio. (Com informações G1 e Massa News)

NOTA

Confira a nota na íntegra do governador Beto Richa sobre a morte do estudante, pedindo para que os pais “redobrem o cuidado com seus filhos” e que os alunos encerrem o movimento.

“A morte do estudante Lucas Eduardo Araújo Lopes, de 16 anos, é uma tragédia chocante, que merece uma profunda reflexão de toda a sociedade.

É ainda mais gravíssimo e lamentável, porque aconteceu no interior de uma escola ocupada, que deveria estar cumprindo a sua missão de irradiar a luz do conhecimento e a formação da cidadania.

Externo à família desse estudante a minha solidariedade neste momento tão doloroso.

E renovo o meu apelo para que os pais redobrem o cuidado com seus filhos.

Peço ainda, mais uma vez, que os estudantes encerrem esse movimento.

A ocupação de escolas no Paraná ultrapassou os limites do bom senso e não encontra amparo na razão, pois o diálogo sobre a reforma do ensino médio está aberto, como bem sabem todos os envolvidos nessa questão.

Que não se aleguem quaisquer justificativas para a continuidade desse movimento que vem causando prejuízos à educação do Paraná.

É hora de responsabilidade e consciência sobre os direitos e deveres de estudantes, professores, famílias, autoridades e sociedade”.

Foto: João Carlos Frigério / Massa News

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