Adolescente brasileiro é representante do país em convenção da ONU


De malas prontas para embarcar para sua primeira experiência internacional, Gabriel Genivaldo dos Santos, 16, irá representar os adolescentes brasileiros no Dia do Debate Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), que acontece no próximo dia 28 de setembro em Genebra, na Suíça. Morador de Curitiba, Gabriel vive em um dos bairros periféricos da capital paranaense e, na ocasião, falará para os representantes do Comitê de Direitos da Criança das Nações Unidas.

O evento acontece a cada dois anos e reúne jovens de diferentes países do mundo para falarem sobre assuntos relacionados aos direitos das crianças. Para o menino da Vila Torres, a expectativa é grande. “Estou muito ansioso, pois vou encontrar pessoas do mundo todo e mesmo distante fisicamente vou falar de algo que pode ser comum a todas elas”, diz. Gabriel é aluno do Centro Educacional Marista Eunice Benato, uma das 23 unidades sociais do Grupo Marista, que funcionam em comunidades de risco social e atendem, gratuitamente, crianças, adolescentes e jovens, por meio da educação e projetos no contraturno escolar.

“Minha participação é importante pois, além de ser representante brasileiro, represento também os adolescentes das periferias do Brasil, cujos direitos são violados desde o nascimento. Represento a voz ativa dessas comunidades e vou à procura de novos olhares do mundo para o nosso mundo”, reflete.

O adolescente brasileiro irá falar sobre “Liberdade de expressão e violência nas escolas”, tema definido pela ONU e discutido em eventos da Fundação Marista de Solidariedade Internacional (FMSI) e enviado ao Comitê, como subsídio do Dia de Debate Geral. No Brasil, a coordenação do trabalho foi do Brasil Marista.

Além de Gabriel, o brasileiro Pedro Cezarino Gouvêa, de apenas 11 anos, também irá ao evento como participante.

Os dois brasileiros, além da chilena Camila Álvarez Cortés, 17, que também fará palestra para o Comitê, são estudantes de colégios Maristas e vão representar um grupo de 1.652 crianças e adolescentes de diversos países.

PARTICIPANTES

Representando o Brasil em conjunto com o Gabriel, Pedro Gouvêa mora em São Paulo e estuda no Colégio Marista Arquidiocesano. “Acho importante dizer que as vozes das crianças têm que ser ouvidas, respeitadas e, se forem ideias, devem ser executadas, pois não são apenas os adultos que têm que falar por nós, porque somos nós que sabemos o que estamos sentindo e vivendo”, afirma.

Camila, que vive na cidade de La Serena, no Chile, coordena o Conselho Juvenil Marista do Chile. “Se nós jovens temos a oportunidade de nos expressar livremente, ser escutados e respeitados, podemos contribuir nestas e em outras instâncias sobre o desenvolvimento integral de todos os direitos humanos”, destaca.

EVENTO EM GENEBRA

O Dia do Debate Geral é um evento pelo qual a ONU realiza o monitoramento dos direitos das crianças e adolescentes. É um encontro promovido pelo Comitê das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, um órgão formado por 18 especialistas de todo o mundo. Este órgão aconselha os governos dos países sobre como manter os compromissos com as crianças e adolescentes sob a Convenção sobre os Direitos da Criança, da qual o Brasil é signatário desde 1990.

O Comitê realiza discussões gerais sobre um tema específico da Convenção e consulta instituições de todo o mundo para que fomentem discussões com crianças e adolescentes de diferentes países a respeito de temas relacionados aos direitos humanos. As crianças foram consultadas, entre outras questões, sobre o papel que podem desempenhar como defensoras dos direitos humanos e quais as barreiras que elas enfrentam.

Com o evento, há a possibilidade de compreensão dos conteúdos e suas implicações no cotidiano das crianças. O encontro do dia 28 de setembro terá 12 mesas temáticas das quais as crianças e adolescentes vão participar.

FMSI E BRASIL MARISTA

A Fundação Marista de Solidariedade Internacional (FMSI), organização presente em 80 países e que participa do Dia do Debate Geral desde 2008, é uma das instituições consultadas pela ONU para fomentar discussões com os jovens e encaminhá-los para a participação no evento.

Das 1.652 crianças e adolescentes ouvidas pelo FMSI, 328 são brasileiras que contribuíram com o relatório sob a coordenação do Brasil Marista (União Marista do Brasil – Umbrasil), organização que representa, articula e potencializa a presença e a atuação Marista no país. Os dois jovens brasileiros e a garota chilena foram indicados por seus próprios pares e colegas, por serem reconhecidos pelo protagonismo local com as escolas e comunidades das quais participam, na promoção, proteção e defesa de direitos humanos.

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS DO BRASIL

Conforme o “Diagnóstico Participativo das Violências nas Escolas: falam os Jovens, um levantamento feito em 2016 pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), pelo Ministério da Educação e pela Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), 69,7% dos jovens relataram naquele ano a ocorrência de algum tipo de violência no âmbito escolar. Nos arredores das instituições de ensino, segundo o levantamento, 82,2% dos alunos consideram que ocorre algum tipo de violência.

Fonte: Assessoria de Imprensa Entre Meios Comunicação

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