A FRAGILIDADE DOS LAÇOS HUMANOS

Volte cinquenta anos no tempo e veja se você se recorda se havia telefone? Celulares? Sequer se imaginava que um dia teríamos telefones em abundância, portáteis e que um dia falaríamos com pessoas do outro lado do mundo? Como? A Itália dos meus avós era tão distante e para se comunicar com nossos antepassados deveríamos nos conformar com a ida de um navio, golpeando as ondas do Atlântico, carregando uma carta, e só depois de cem dias chegaria a resposta. Se chegasse! Quem saísse de seu território ficaria predestinado a viver tão somente de lembranças e memórias. A humanidade ficou retesada no tempo por mais de três mil anos e não consigo entender, porque esta minha geração foi escolhida para ser a época do maior desenvolvimento da humanidade: a nova forma de comunicarmos uns com os outros. As distâncias desapareceram e fomos ficando mais próximos dos outros, de forma nunca antes imaginada!

Quanto mais próximo nos tornou, mais os laços humanos se enfraquecem. Não olhamos mais nos olhos das pessoas para vermos a profundidade da alma. Nós nos acostumamos com as aparências de tal forma, que o amor fraterno se tornou liquefeito, fragilizou-se de tal forma, que as relações humanas deixaram de ser profundas. Quanto mais nos comunicamos, quanto mais estas relações se tornam frágeis. Morreu o contrato da fidelidade. A permanência da amizade se dilui num whatshap, falamos o que queremos, colocamos nosso íntimo à mostra e ninguém se comove. Quando alguém se comove é fakenew!

Que mundo é este que me força a viver nesta superficialidade? Os laços humanos se afrouxaram de tal forma que a solidariedade se tornou secundária. Se ficarmos pessoas atualizadas com as notícias do mundo do inteiro, chegando rápido, por outro lado estamos absolutamente, sós para encampar uma campanha de solidariedade, de amor ao próximo e de reconciliação com o outro. Um mundo onde a tecnologia ajudou os corruptos a se especializarem, de forma que este avanço da malandragem consumiu os cofres do poder público, nunca havia passado pela minha cabeça.

E eu vivo neste Brasil onde tudo se especializou, mas, de uma superficialidade impressionante.

Quisera voltar no tempo e escrever uma carta ao meu amado que demorava três meses para chegar, de namorar com ele, mas, com a mãe na mesma sala, de me deixar seduzir e desejar que um dia eu e o amado dormiríamos na mesma cama… Santa inocência!

Izaura Varella

Advogada e professora

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